Na Arquidiocese de Londrina 143 padres se dividem em trabalhos nas paróquias como vigários ou párocos, como professores em colégios ou faculdades e em funções administrativas em suas congregações ou na Mitra e Cúria Arquidiocesana.
Padre Paulo Roberto Martins, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Recreio, e coordenador geral do Clero de Londrina, concorda que o padre é ordenado para estar com o povo. ''Quando não se adapta a essas funções ele pode servir a Igreja em outras atividades, mas isso é por necessidade dele, como pessoa, porque como padre sua missão seria estar no trabalho em comunidade. O que acontece é que muitos se enchem de trabalho e isso prejudica a atenção que devem dar ao povo'', esclarece o sacerdote.
O padre Jorge Pereira de Melo, da Paróquia Santa Cruz, no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte), afirma não viver sem paróquia, mesmo possuindo outras atividades na Igreja. ''Sou diretor geral da Rádio Alvorada, emissora católica da Arquidiocese, tenho um programa diário de duas horas, inclusive aos domingos, mas é a vida na paróquia, atendendo e escutando o povo, que me realiza como sacerdote. Não posso conceber um padre fora de vida de comunidade. Porém a grande estrutura da Igreja impõe que alguns se dediquem a missões mais burocráticas'', afirma.
Assumindo a Paróquia Nossa Senhora dos Migrantes, no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (Norte), há menos de dois meses, o padre Altair Manieri ficou afastado por seis meses. ''Entrei em uma crise de estafa e não dava conta de atender as pessoas, de ouvir, acolher. Não por vontade própria, mas pelo cansaço. Sou professor de Teologia na PUC, assessor das Pastorais Sociais e atuo no Tribunal Eclesiástico de Londrina. Esse ativismo me levou a um esgotamento. Queremos servir, mas temos que levar em conta os nossos limites humanos'', declara o sacerdote. (B.M.)

mockup