‘Temos noção do risco’,
afirma piloto veterano
Lúcio Horta
O sonho de muitas crianças que assistem a filmes, a maioria norte-americanos, produzidos por Hollywood, como ‘‘Top Gun - Ases Indomáveis’’, estrelado por Tom Cruise, é encarado com naturalidade pelos pilotos que fazem parte do corpo da Força Aérea Brasileira (FAB) e que têm a possibilidade de pilotar aviões que conseguem ultrapassar a velocidade do som (cerca de 1,2 mil km/h).
É o caso do tenente Fernando Mauro, 28 anos, metade deles na Aeronáutica e hoje integrante do Esquadrão Pampa, da base aérea de Canoas (RS). Com pai no Exército e tio na Marinha, ele diz que a escolha pela profissão de piloto militar não foi influenciada por filmes de ação. ‘‘Queria ser piloto e fiz a minha opção’’, afirma Mauro. ‘‘Os filmes não me impressionaram.’’
Aos 14 anos, Fernando Mauro ingressou na escola da Aeronáutica em Barbacena (MG), onde concluiu o 2º grau. Depois, passou por Pirassununga (SP), onde se tornou aspirante aviador. Em Natal (RN), aprendeu a pilotar caças. Em Fortaleza, tornou-se líder de esquadrilha de caça. Desde 97, foi designado para a base de Canoas e passou a pilotar os Tiger F-5.
O piloto compara o risco de conduzir um caça F-5 ao de um carro de passeio. Se o condutor tiver cuidado, dificilmente acontecerá um acidente. ‘‘Nós temos a noção do risco e a devida cautela’’, afirma ele. ‘‘Segurança de vôo é fundamental.’’
Sobre a possibilidade de vir a combater um dia, Fernando Mauro tem consciência de que as chances são remotas. Mas garante que o próprio treinamento praticado pelas Forças Armadas faz com que a idéia de uma guerra esteja presente no dia-a-dia dos pilotos.
Ele diz também que, apesar de a Aeronáutica tomar grande parte do seu tempo, é perfeitamente possível levar uma vida normal fora das bases aéreas. ‘‘Profissionalmente, a gente só pode trabalhar na Aeronáutica. Mas nos horários de folga dá para ter amigos, visitar a família. Sem problema.’’

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