Temas mais comuns - saiba como agir
Adoção
A psicóloga Camila Menezes alerta que quanto mais cedo os pais começarem a falar sobre o assunto, mais normal irá se tornar. ''A mãe jamais deve falar que não é seu filho. Afinal, quando adotou, o filho se tornou dela. Para tentar ingressar no assunto, a mãe pode explicar à criança que há duas maneiras de se ter um filho: uma da barriga e outra adotando, por exemplo.'' É ainda, a chance de dizer que o filho foi escolhido. ''A criança pode criar o pensamento: se ela me escolheu, é porque me quis e sou especial.''
Conforme os anos vão passando, a curiosidade aumenta. E a pergunta sobre o pais biológicos aparece. O que dizer nessa hora? ''O conselho é nunca falar mal dos pais biológicos. Até porque, ao dizer que os pais eram ruins, a criança pode acreditar que é ruim também. Prefira dizer: Eles devem ser pessoas especiais, porque foram eles que fizeram você'', diz.
Separação
No intuito de poupar as crianças, os pais acabam não conversando com os filhos que estão se separando. Para a psicóloga, desde cedo a pessoa deve aprender a lidar com a frustração. ''O ideal é que os pais expliquem o motivo pelo qual estão se separando, sem falar mal ou acusar um ao outro. Deixe claro que não vão mais viver juntos, mas que não é por causa dos filhos. Isso vai fazer que eles compreendam melhor e aprendam a lidar com os momentos difíceis.''
Até porque, de acordo com ela, a criança tem que vivenciar o sentimento. ''Isso vale para qualquer situação. São nesses momentos que a criança vai entender o que está acontecendo e aprendendo a superar as dificuldades para ser um adulto sadio'', completa.
Mudança
Se a mudança de casa, cidade ou escola é inevitável, o melhor é incluir a criança no planejamento. ''Sempre insira a criança nas decisões da família. Expondo suas opiniões, ela sentirá que é importante. Do contrário, ela pode ficar com raiva e desenvolver uma aversão a mudanças'', comenta. A psicóloga diz que se for uma mudança de escola, por exemplo, visite algumas instituições com ela e, na medida do possível, veja qual ela prefere. ''Se a família for mudar de cidade, a criança pode ajudar na escolha da casa, fazer um álbum de fotos com os amigos, pegar os telefones. Isso facilita a aceitação.''
Morte
Mais dia, menos dia, alguém vai morrer, seja amigo ou da família. ''Quando isto acontecer, tente explicar da forma mais concreta possível. Informando que as pessoas, os animais, têm órgãos dentro e, quando param de funcionar, eles morrem. Evite dizer que a pessoa viajou, pois a criança tem dificuldades em fazer abstrações. Ela pode ficar esperando que esta retorne de uma viagem que não aconteceu. Isso causa uma ansiedade desgastante'', revela. Diante da morte, os pais podem ainda passar valores religiosos.
Sexualidade
Um dos assuntos mais temidos pelos pais talvez seja um dos mais importantes. ''Conversar com os filhos sobre sexo não quer dizer que está incentivando a fazer. Explicar como o corpo funciona e como se dão as relações é, antes de tudo, prevenção, principalmente de abusos'', alerta a psicóloga. Como a curiosidade pelas questões sexuais surge desde a primeira infância, o ideal é que os pais ensinem como e quando elas podem fazer carinho, por exemplo. ''Conforme a idade, eles vão explicando que só pode ficar sem roupa na frente da família. Ensinar ainda que somente a criança pode tocar nos órgão sexuais e, assim, por diante'', relata.
Já com mais idade, assuntos como relações e mudanças do corpo. Nesse época, temas como masturbação e sexo propriamente dito entrarão em voga. ''Os pais não podem fingir que não estão vendo. É melhor levar o adolescente ao médico, para que receba mais orientações. Tanto para criança quanto para o adolescente a regra é a mesma: não ignorar as dúvidas. A confiança mútua só fortalece a relação entre pais e filhos.'' (M.T.)





