Tema reúne sete igrejas em Londrina Idéia da realização de uma campanha ecumênica surgiu há cerca de dois anos e pode ser concretizada agora, segundo religiosos Paulo WolfgangECUMENISMOO cartaz da campanha, no encontro de líderes de várias religiões convocado pelo arcebispo dom Albano Cavallin (direita) Osmani Costa De Londrina ‘‘Dignidade humana e paz – Novo milênio sem exclusões.’’ Com este tema, terá início na Quarta-feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, que durará toda a Quaresma. Organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1963, neste ano, pela primeira vez, a campanha será ecumênica, com a participação de sete igrejas cristãs: Católica Apostólica Romana, Cristã Reformada, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Metodista, Ortodoxa Siriana do Brasil e Presbiteriana Unida. Na tarde de ontem, o arcebispo de Londrina dom Albano Cavallin e alguns pastores deram entrevista coletiva à imprensa, na Catedral Metropolitana, para explicar os motivos e objetivos da campanha ecumênica, que será lançada oficialmente na cidade na próxima sexta-feira, com um ato público conjunto ao ar livre no anfiteatro do Zerão. Em todo o país, a CF será coordenada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Em Londrina, que não conta com representante desta entidade, ela será desenvolvida pelo Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (Cebi) e representantes das igrejas cristãs. Segundo os religiosos, a idéia da realização de uma CF ecumênica vem sendo discutida e articulada há cerca de dois anos. ‘‘Felizmente, estamos conseguindo realizá-la agora, quando comemoramos esta data tão especial e festiva, o jubileu dos 2 mil anos do nascimento de Jesus Cristo’’, comentou dom Albano Cavallin. O reverendo Luiz Caetano, da Igreja Anglicana, ressaltou, no entanto, que apesar de a experiência ter tudo para dar certo ela não deve ser permanente. ‘‘A realização da CF em conjunto é só para este ano e é da maior importância para nós, cristãos. Mas o próprio ecumenismo pressupõe assumirmos as diferenças existentes entre as igrejas aqui presentes. Não queremos ser todos iguais. Defendemos a unidade mesmo na adversidade, porque Cristo é o nosso senhor comum.’’ A campanha será um momento de reflexão e denúncia das igrejas sobre as exclusões sociais e situações que ferem a dignidade humana. ‘‘Cada igreja tem suas especifidades, sua dinâmica. A campanha não será desenvolvida de maneira uniforme entre elas, mas há também muitos pontos que nos une’’, explicou o pastor da Igreja Presbiteriana Independente Carlos Klein. ‘‘Vamos denunciar as situações insustentáveis para a dignidade do homem e da mulher, criações maiores de Deus. Vamos chamar a atenção para os atos de marginalização e exclusão comuns na atualidade’’, lembrou dom Albano Cavallin. De acordo com ele, na busca da dignidade e da paz a sociedade não deve mais aceitar passivamente o trabalho escravo, a prostituição infantil, a falta de terra para os trabalhadores rurais e a difícil situação dos índios e parte das mulheres no Brasil. Numa alusão às denúncias de superfaturamento, corrupção e desvios de verbas na administração municipal de Londrina, os líderes religiosos afirmaram que a CF será um espaço de denúncia incisiva contra as causas da marginalização e exclusão social. ‘‘Teremos a coragem de denunciar o que se passa nos bastidores da ordem política e da estrutura econômica que afrontam a dignidade humana e a paz. E também os que exercem o poder sem a ética e a dignidade esperadas nos legítimos cristãos’’, disse o pastor Carlos Alberto, da 8ª Igreja Presbiteriana de Londrina.