Tema recebe tratamento investigativo
A constatação que houve um aumento expressivo no espaço dedicado ao tema não elimina o fato de que ainda há muito a avançar na questão da qualidade do noticiário a ser oferecido à sociedade. A média obtida pelos jornais na pesquisa qualitativa entitulada O Grito dos Inocentes foi de 38,3 pontos, bem abaixo dos 50 pontos que seriam, na avaliação da Andi, razoáveis quando se trata da questão da qualidade.
Mesmo assim, o editor-executivo da Andi, Rubens Amador, ressalta que esta pontuação é significativa se comparada com a qualidade de noticiários de outros tipos de violência, aferidos por outra pesquisa realizada pela agência, que ficou com 30 pontos. As matérias que tratam de exploração e abuso sexuais de crianças têm maior qualidade, profundidade e contextualização. E o que se percebe é que esses atributos tendem a aumentar cada vez mais, porque os jornais estão se preocupando com isso.
Ele enfatiza ainda que o tratamento do tema exploração infantil e do adolescente, ao lado da análise das causas e soluções, é três vezes mais investigativo que o de outros setores. A abordagem centrada na descrição no ato violento é menor e as fontes são mais plurais. E qanto mais fontes, melhor para o bom jornalismo, porque ajuda a formar um julgamento mais profundo, diz.
Amador diz, porém, que o tema continua sendo muito delicado e, por isso, merece um tratamento sóbrio. Ainda há coisas a ser melhoradas, principalmente no que diz respeito a determinados conceitos. O tratamento com dignidade, por exemplo, vale não só para a vítima, mas também para o agressor, que normalmente é tratado como marginal e não como uma vítima social.





