Tema da redação surpreende candidatos
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quarta-feira, 13 de janeiro de 1999
Áureo Nogueira 
Paulo WolfgangMuitos homens, neste final de século, duvidam de que a humanidade possa caminhar para melhor sem recuperação daquilo que a competição vem insistentemente abafando: a idéia da coletividade. Este foi o tema da redação do vestibular da Universidade Estadual de Londrina, aplicado na prova de ontem, o terceiro dia do concurso. Apesar de o enunciado ser considerado longo, o que dificultou a compreensão para muitos candidatos, a maioria entrevistada pela Folha conseguiu desenvolver bem o tema.
É o caso dos londrinenses Elaine Ramalho dos Santos, 19 anos, que concorre a uma vaga no curso de Secretariado Executivo, e Rafael Gabriel da Silva, também de 19 anos, que tenta uma cadeira em direito (noturno). Ambos conseguiram redigir a redação sem problemas.
Para Rafael, o enunciado da redação é longo mas o tema não estava difícil. Elaine concordou com a afirmação do enunciado e fez uma crítica à predominância da competição sobre a coletividade e transmitiu uma mensagem de otimismo. Afinal, muitos homens, felizmente, duvidam de que a humanidade possa caminhar melhor sem recuperar a idéia da coletividade, que promove a solidariedade, destacou.
Mas houve também candidatos que tiveram muita dificuldade para desenvolver o tema proposto. Para Janaína Guimarães, também londrinense de 19 anos, que pretende estudar engenharia civil, a redação foi péssima; o tema, horrível. Ela disse que o enunciado era muito longo, o que dificultou a compreensão. Esperava um tema ligado à política ou à economia.
A prova de ontem - redação e língua portuguesa - é fundamental para a pretensão de todos os candidados, pois é eliminatória em caso de empate entre candidatos na contagem geral de pontos. E suas notas, ao contrário das outras, têm peso único para os cursos de todas as áreas de conhecimento.
Os mesmos candidatos consideraram a prova de língua portuguesa relativamente fácil, com uma ou outra dificuldade. Rafael Gabriel acha que foi bem. A prova de português estava fácil, mas as questões de literatura trouxeram algumas dificuldade. Janaína também considerou normal a prova de língua portuguesa e literatura. Já Elaine considerou difíceis as questões gramaticais e de literatura. Chutei muitas questões e cheguei a anular uma questão ao passar a resposta para o gabarito.
Apesar das dificuldades, todos os candidatos mantêm a expectativa de ingressar na Universidade. A esperança é a última que morre. Mas se não der, vamos tentar no próximo, disse Janaína.
Hoje, no encerramento do vestibular de verão da UEL, os 17.160 candidatos que continuam no páreo respondem a 80 questões de matemática e língua estrangeira. Ontem houve mais 90 faltas, o que elevou para 11,75% o índice de desistências. Este percentual é considerado normal pela organização do concurso.


