Paulo Wolfgang‘‘Muitos homens, neste final de século, duvidam de que a humanidade possa caminhar para melhor sem recuperação daquilo que a competição vem insistentemente abafando: a idéia da coletividade.’’ Este foi o tema da redação do vestibular da Universidade Estadual de Londrina, aplicado na prova de ontem, o terceiro dia do concurso. Apesar de o enunciado ser considerado longo, o que dificultou a compreensão para muitos candidatos, a maioria entrevistada pela Folha conseguiu desenvolver bem o tema.
É o caso dos londrinenses Elaine Ramalho dos Santos, 19 anos, que concorre a uma vaga no curso de Secretariado Executivo, e Rafael Gabriel da Silva, também de 19 anos, que tenta uma cadeira em direito (noturno). Ambos conseguiram redigir a redação sem problemas.
Para Rafael, o enunciado da redação é longo mas o tema não estava difícil. Elaine concordou com a afirmação do enunciado e fez uma crítica à predominância da competição sobre a coletividade e transmitiu uma mensagem de otimismo. ‘‘Afinal, muitos homens, felizmente, duvidam de que a humanidade possa caminhar melhor sem recuperar a idéia da coletividade, que promove a solidariedade’’, destacou.
Mas houve também candidatos que tiveram muita dificuldade para desenvolver o tema proposto. Para Janaína Guimarães, também londrinense de 19 anos, que pretende estudar engenharia civil, a redação ‘‘foi péssima; o tema, horrível’’. Ela disse que o enunciado era muito longo, o que dificultou a compreensão. ‘‘Esperava um tema ligado à política ou à economia.’’
A prova de ontem - redação e língua portuguesa - é fundamental para a pretensão de todos os candidados, pois é eliminatória em caso de empate entre candidatos na contagem geral de pontos. E suas notas, ao contrário das outras, têm peso único para os cursos de todas as áreas de conhecimento.
Os mesmos candidatos consideraram a prova de língua portuguesa relativamente fácil, com uma ou outra dificuldade. Rafael Gabriel acha que foi bem. ‘‘A prova de português estava fácil, mas as questões de literatura trouxeram algumas dificuldade. Janaína também considerou normal a prova de língua portuguesa e literatura. Já Elaine considerou difíceis as questões gramaticais e de literatura. ‘‘Chutei muitas questões e cheguei a anular uma questão ao passar a resposta para o gabarito.’’
Apesar das dificuldades, todos os candidatos mantêm a expectativa de ingressar na Universidade. ‘‘A esperança é a última que morre. Mas se não der, vamos tentar no próximo’’, disse Janaína.
Hoje, no encerramento do vestibular de verão da UEL, os 17.160 candidatos que continuam no páreo respondem a 80 questões de matemática e língua estrangeira. Ontem houve mais 90 faltas, o que elevou para 11,75% o índice de desistências. Este percentual é considerado normal pela organização do concurso.

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