Tem um prédio no meio do caminho
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Há pelo menos 50 anos os comerciantes e moradores da Vila Nova (Área Central de Londrina) convivem com um problema pitoresco: na Rua Araguaia, bem ao lado do número 270, uma construção avança sobre a calçada e, pior, invade a rua em cerca de um metro. Um risco para os pedestres, que são obrigados a dividir espaço com os carros, um incômodo para os proprietários de lojas vizinhas, que têm a visibilidade das fachadas prejudicadas pelo prédio.
''Minha loja ficava bem ao lado daquele salão. Há cerca de um ano eu mudei de lugar porque os clientes reclamavam muito, dizendo que tinham dificuldade para encontrá-la'', contou o comerciante Paulo Sérgio Franco de Lima. Outro comerciante, Osvaldo de Oliveira Junior, admite que o imóvel atrapalha, mas não é isso o que mais o preocupa: ''O pior é o risco que as pessoas estão correndo. É muito comum a gente ver, por exemplo, mães empurrando carrinhos de bêbe ao lado dos carros. Este imóvel já tinha que ter sido desapropriado há muito tempo'', critica.
A proprietária do salão, Oracília Aro Germinari, de 81 anos, explica que a construção foi feita pelo seu sogro, no ano de 1952. ''Na época não tinha nem asfalto.'' Ela diz que há cerca de 10 anos a prefeitura interditou o imóvel, mas, mesmo fechado, continuam pagando R$ 150,00 por mês de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Rosângela Aparecida Garcia, nora de Oracília, afirma que a família vem tentando negociar há anos com o município uma desapropriação, mas até hoje não conseguiu. ''Já entramos até com uma ação pedindo indenização. Além de tudo, tem o risco que estamos correndo (a família mora em cômodos existentes ao lado e nos fundos do salão). Meu marido morreu eletrocutado há quatro anos, ao subir no telhado para instalar uma antena de TV'', conta Rosângela, mostrando os fios de alta tensão dos postes da rua, que ficam muito próximos ao telhado do imóvel.
Outro imóvel antigo na mesma situação está localizado no cruzamento das ruas Quintino Bocaiúva com Eduardo Benjamin Hosken (Área Central). O Auto-Posto Monteiro (antigo Posto dos Motoristas), um dos mais antigos da cidade e construído há aproximadamente 40 anos, também avança no espaço que deveria ser ocupado pela calçada. O proprietário do imóvel, Brasílio Monteiro, explica que o adquiriu em 1977 e não sabe exatamente como isto aconteceu. ''Deve ter sido um erro de planejamento da prefeitura, na época de abertura da Rua Eduardo Hosken.'' Segundo Monteiro, a Petrobras, que detém a bandeira do posto, já tentou regularizar a situação e atualmente está negociando uma reforma do imóvel.


