Ideais para alguns, incômodas para outros. As ruas sem saída, bastante comuns em bairros mais antigos de Londrina ou nas proximidades dos inúmeros fundos de vale que cortam a cidade, causam discordância de opiniões entre as pessoas que moram nessas vias com características tão peculiares.
Os moradores de áreas mais movimentadas apreciam a tranquilidade resultante da quase ausência de carros. Nos bairros onde não existe possibilidade de passagem para outras ruas por atalhos de terra no meio do mato, a reclamação é que a interrupção da rua aumenta as distâncias até lugares como escolas ou postos de saúde.
A Rua Caraíbas, na Vila Casoni (Zona Leste), termina exatamente no portão de entrada da residência da dona de casa Quitéria da Silva Fernandes. A última quadra da movimentada via comercial destoa do resto dos quarteirões por não ter saída. Essa condição reduz o tráfego de carros e torna o local tranquilo. ''Já morei em outra casa nesta mesma quadra. É muito calmo, nem parece que estamos na Rua Caraíbas'', diz ela.
A vendedora Elaine Vitorino concorda com a vizinha. ''Moro aqui há dois anos e escolhi a casa porque posso deixar minha filha brincar na rua. Isso seria impossível em uma rua por onde passam muitos carros.'' Aos domingos, ela e os vizinhos costumam por mesas nas calçadas e compartilhar o churrasco. ''É muito divertido'', considera.
Uma quadra abaixo, em outra travessa da Avenida Jorge Casoni, os moradores da última quadra da Rua Tupiniquins vivenciam a mesma situação. Além dos carros dos moradores, os únicos veículos que transitam pelo local são aqueles conduzidos por motoristas desavisados que, a despeito da placa que alerta sobre o fim da rua, entram na via achando que há saída.
''As pessoas vivem errando o caminho. Mas na maioria das vezes aqui é tranquilo demais. Para os moradores é ótimo, as crianças podem brincar sem riscos'', opina o polidor de carros Nilton César Nunes.
O último quarteirão da Rua Humberto Piscinin, na Vila Brasil (Área Central), termina em um fundo de vale. Do outro lado da área verde, fica a Rua Nicarágua, que dá acesso à escola e ao posto de saúde. Para alguns moradores do bairro, a construção de uma passagem ligando as duas vias seria ideal para encurtar distâncias. ''Se não quero enfrentar a terra, a única opção para chegar do outro lado é aumentar o caminho, andando mais de dez minutos. De carro é impossível passar'', afirma o aposentado Geraldo Caetano.
Morador da rua há vários anos, o comerciante José Olivar Gonçalves também reivindica a abertura. ''Aqui perto tem um supermercado grande e uma fábrica de farinha. Quando as carretas de mercadorias erram o caminho e entram na rua, passam muito tempo manobrando para conseguir voltar'', conta.
A dificuldade para chegar ao posto de saúde e à escola também é relatada por moradores da Rua Santa Maria, na Vila Santa Terezinha (Zona Leste). A auxiliar de serviços gerais Vera Lucia Rosa caminha pelo menos 15 minutos a mais quando precisa ir a esses locais, pois não gosta de atravessar o fundo de vale onde a Santa Maria termina. ''A solução seria abrir uma rua lateral'', diz, apontando o possível lugar para a obra.
Mãe de Vera, a aposentada Paulina Rosa é vizinha da filha e já observou as dificuldades enfrentadas por motoristas que erram o caminho e percorrem mais de 100 metros antes de descobrir que a rua não tem saída. ''O lixeiro entra para recolher o lixo e depois tem que manobrar. É um transtorno'', reclama.

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