'Tem placa, tem que parar e olhar'
A sensação entre quase todos que passavam pelo acidente era de déjà vu e o comentário geral era: ''mas de novo!''. Até os policiais da Companhia de Trânsito estão acostumados a encontrar Nélida pelo menos uma vez por semana. ''Hoje ele (o guarda) vai tomar um cafezinho antes de ir embora porque sábado não deu tempo'', brincou a aposentada, que apesar de sofrer de pressão alta, já se acostumou com os sustos.
''Um dia um carro com estudantes entrou dentro do meu quarto. Se não pulo, não sei o que teria acontecido. Era 5h15 da manhã e as meninas estavam voltando de uma festa. Ficaram presas nas ferragens'', recordou Nélida, que nunca precisou gastar com a reforma do muro, que fica a cargo das seguradoras.
Segundo a aposentada, os moradores do bairro já encaminharam um abaixo-assinado para a prefeitura, com cerca de 2 mil nomes, pedindo a mudança do semáforo. ''Todos os cruzamentos deste bairro são perigosos, mas não adianta colocar quebra-molas nem semáforo. Basta o motorista prestar mais atenção'', opinou o entregador Marcos Antônio Fuentes, que mora na Rua Paraguai e cruza a esquina diariamente.
Para o arquiteto de trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Hirak Ohara, a causa dos acidentes é a falta de atenção dos motoristas. ''O local é bem sinalizado, o problema é que a Rua Uruguai é preferencial desde a Juscelino Kubitscheck até a Colômbia e acho que os motoristas esquecem disso e avançam sem olhar o movimento'', justificou.
Segundo Ohara, o objetivo do semáforo colocado na Rua Colômbia é justamente reduzir a velocidade. ''Vamos fazer a contagem do fluxo de veículos e monitorar os acidentes e se houver necessidade, vamos recomendar a instalação de um semáforo na Rua Bolívia também'', avisou o arquiteto, assinalando que nem um quebra-molas nem um radar dão conta de inibir os acidentes.
''O pessoal não toma cuidado. Tem placa, tem que parar e olhar. Mas se a distração continuar, o único jeito será colocar outro semáforo'', completou Ohara, informando que a instalação não deve ficar cara, pois o Município reaproveita nos bairros os sinaleiros que são trocados na Região Central.(M.G.)





