Hospital não é lugar de palhaço, mas também não deveria ser lugar de criança. Para tornar a rotina dos pacientes mais agradável, há 13 anos a equipe do Plantão Sorriso percorre as alas pediátricas dos hospitais de Londrina e região. Os sete palhaços do grupo são divididos em duplas e fazem visitas semanais às crianças. Em Londrina são atendidos os hospitais Universitário, Evangélico, Infantil, da Zona Norte, da Zona Sul e Câncer além da Santa Casa de Misericórdia em Cambé.
A equipe da FOLHA acompanhou uma visita de Aneliza Paiva, a Dra. Frida, e de Gerson Bernardes, o Dr. Lambreta Marchalenta, pelo Hospital Universitário (HU). O ambiente muda com a passagem dos atores. No HU, além da pediatria eles passam pela ala de queimados e pela UTI pediátrica. O trabalho dos palhaços começa pelos corredores. As brincadeiras contagiam funcionários, equipe médica, acompanhantes e pacientes adultos que abrem o sorriso quando veem a dupla.
Os médicos palhaços destacam que possuem especialidades. Dra. Frida é ''chilicóloga'' e Dr. Lambreta se diz ''travalingualaringologista''. Ao entrarem no quarto das crianças eles aplicam adesivos que garantem conter ''vitaminas médicas''. Eles ainda fazem serenatas, soltam bolhas de sabão e fazem procedimentos para curar riso frouxo, miolo mole, grilo na cuca, caraminholas na cabeça, chulé encravado e outras ''doenças''. Dra Frida sempre tem uma equipamento ''importado e de última geração'' capaz de resolver todos os problemas dos pacientes.
O figurino chama atenção: são vários os apetrechos pendurados, não falta um violão afinado e um guarda pó cheio de brinquedos pelos bolsos. De acordo com os atores o foco principal do trabalho são as crianças. ''Acontece de algum enfermeiro pedir para a gente visitar um paciente idoso ou algum caso especial, mas é raro'', disse Gerson.
Além das crianças, os pais e equipe médica também são incluidos nas brincadeiras. Não é difícil ver vários médicos e enfermeiros na porta do quarto ''em atendimento'' acompanhando o procedimento dos ''doutores''. Para Herlieni Mota e Silva, enfermeira pediátrica, o trabalho do grupo é fundamental. ''Às vezes as crianças estão na maior tristeza, mas quando os palhaços chegam muda tudo. Os funcionários também gostam porque o ambiente fica mais alegre e o dia passa mais rápido.''
Para os pais a entrada dos palhaços no quarto representa alívio. No quarto de Amanda Cristina Garioski do Nascimento, de dez anos, os palhaços fizeram uma batalha de bolhas de sabão, com direito a narração, torcida e premiação no final. As risadas de Amanda foram a recompensa da dupla. ''Eles só fazem palhaçadas, eu fico mais alegre quando eles vem me ver. Vou receber alta e vou sentir saudade só dos palhaços, não do hospital'', disse. A mãe, Juliana Cristina Garioski, disse que as visitas garantem boas risadas. ''Depois que eles vão embora a gente relembra as palhaçadas e ri de novo'', comentou.
A filha de Regiane Venâncio, Lohane tem seis anos e estava internada há três dias. As duas viram os palhaços pela primeira vez. ''Eu achei maravilhoso. Não conhecia o projeto pessoalmente e acho que faz tão bem às crianças quanto aos pais. É muito bom'', disse.

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