Tem gente que nem notou a diferença
O fato que é comemorado por alguns, passa despercebido por outros. A desocupação do xadrez do 4º Distrito Policial, na Zona Sul, nem foi notado pelos amigos Hildebrando Dedir, 69 anos, e Militão da Silva Freitas, 73. A dupla de aposentados notou apenas a diminuição das sirenes das viaturas nas proximidades.
Para Dedir, a proximidade da cadeia não preocupa. Ele acredita que a falta de segurança está espalhada pela cidade. ''Não tem mais lugar seguro em Londrina. Todo mundo fica preocupado o tempo todo. A gente levanta e vai dormir preocupado'', diz. E o medo faz parte da rotina dele. Três ou quatro vezes por semana ele enfrenta as ruas da cidade à noite para ir e voltar da igreja.
O fim do movimento de parentes nos dias de visita, celebrado pela maior parte dos vizinhos, é motivo de lamentação para a comerciante Joana Ito, 58. Os familiares dos detentos representavam uma boa clientela para a proprietária de um estabelecimento na frente do 5º DP, na Zona Norte. ''Era uma freguesia a mais. Vendia bastante para eles, principalmente refrigerantes. Mas agora é melhor porque tem mais segurança'', avalia.
Apesar de não comemorar, como outros vizinhos, a desativação da carceragem, Freitas afirma que o problema da falta de segurança já faz parte da rotina dos londrinenses. ''A violência é assunto em todo lugar que a gente vai, na padaria, no banco'', constata. O debate sobre a criminalidade. porém, é ineficaz, na opinião do aposentado. ''Parece que as coisas estão cada vez piores.''
Também vizinho do 5º Distrito Policial, o policial militar aposentado Roberto Martins de Oliveira, 46, considera que o uso da carceragem não é incômodo para quem mora perto. A não ser pelo barulho dos dias de visitas. ''Preso só incomoda quando foge'', decreta. Mas a paz reinante no bairro pode, segundo ele, durar pouco. Oliveira acredita que a carceragem deve voltar a ser usada em seis meses no máximo.
E a previsão do PM aposentado mostrou-se acertada. Pelo menos, o prazo de seis meses também foi estimado pelo delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso. Esse é o tempo necessário para que as reformas no 2º, 4º e 5º DPs sejam concluídas.
Posteriormente, o 3º distrito, na Zona Oeste, que é ocupado por mulheres, pode ser desocupado para também ser reformado. ''A meta é deixar todas as carceragens aptas a receber presos'', afirma. A volta do fantasma da superlotação, no entanto, ainda parece estar distante, uma vez que ainda existem vagas na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que está sendo usada para abrigar os presos provisórios.
Mesmo destacando que é ''difícil prever o futuro'', Barroso ressaltou que existe a previsão de construção de unidades para abrigar detentas e outra para presos do regime semi-aberto, também com o objetivo de dar conta da crescente demanda por vagas no sistema carcerário local. (F.R.F.)





