Conhecido como Boa Gente, o taxista Antonio Teixeira Maciel, que há 42 anos trabalha na profissão, também diz que já ouviu e viu de tudo dentro de seu veículo. ''Percebo que as mulheres gostam mais de falar. Os homens são mais fechados e não contam muito sobre a vida pessoal, a não ser quando os que me conhecem há anos'', garante.
Para não forçar a barra, o taxista afirma que deixa o passageiro à vontade para se manifestar. ''Logo no início, o papo não foge muito dos assuntos corriqueiros e amenos, como a condição do tempo, por exemplo. Mas se a pessoa começa a se abrir, tento ser o mais sensível possível. Se é uma pessoa conhecida, alguém mais próximo, e percebo que ela quer ouvir uma palavra de consolo, conto uma história minha ou que eu sei, para ela sentir que não está sozinha.''
Segundo ele, tem gente que gosta tanto de falar que, quando chega ao destino final, simplesmente não quer descer do carro. ''Por aí, dá para ver o quanto as pessoas estão carentes e têm a necessidade de desabafar, nem que seja por alguns minutos. Os assuntos vão desde problemas familiares, com os filhos, até profissionais. Depois de tanta conversa, os clientes acabam virando amigos e eu, alguém em quem podem confiar'', declara.
No mesmo ponto há cerca de 35 anos, na Zona Oeste de Londrina, Boa Gente conta ainda que, além dos clientes, muitos aposentados da região vão até o local só para conversar. ''Eles sentem falta de se abrir com alguém. Aproveitam quando não temos corrida para ficar batendo papo e passar o dia.'' (M.T.)

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