O Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar e a Defesa Civil começaram a distribuir ontem de manhã as 3 mil telhas de cimento amianto para os moradores de Janiópolis (41 km a oeste de Campo Mourão) que tiveram suas casas destelhadas pela chuva de granizo de segunda-feira. As telhas enviadas pela Secretaria de Obras do Estado, no entanto, só serão suficientes para atender cerca de 25% das casas atingidas.
‘‘Precisamos de pelo menos 12 mil telhas’’, disse ontem o tenente João Carlos Souza do Rosário, que comanda o trabalho no GOE na cidade. O levantamento feito pelo grupo desde segunda-feira ficou pronto anteontem à tarde e revela que foram destruídas 1.307 telhas de 6 milímetros e 10.715 de 4 milímetros, num total de 366 casas. No levantamento, não estão incluídas as cerca de 300 casas de cinco conjuntos habitacionais, que têm seguro próprio. A previsão é que as telhas para os conjuntos cheguem ainda hoje.
Segundo João Carlos, as famílias com as casas mais prejudicadas foram cadastradas e estão recebendo as telhas de acordo com a renda. ‘‘Primeiro vamos repassar para quem tem renda de até um salário mínimo’’, explicou. A distribuição das telhas foi feita por 12 policiais divididos em cinco grupos. Eles usaram caminhões e caminhonetes da prefeitura para fazer a entrega. A colocação das telhas no telhado fica por conta dos próprios moradores.
A primeira a receber as telhas foi a dona de casa Ângela Maria Rodrigues. Ela estava sozinha em casa na hora da chuva - as duas filhas estavam na escola - e diz que correu para a varanda com medo que a casa caísse. ‘‘Nunca tinha visto uma chuva daquelas’’, conta. Ângela recebeu 100 telhas. O marido dela, Laércio Graciano Pinto, reclama que estava em Maringá na hora da chuva e que acabou multado em R$ 120,00 por excesso de velocidade quando soube da tempestade e voltou correndo para casa. ‘‘Estava desesperado’’, ressalta.
Ajuda O prefeito de Janiópolis, Júlio Batista Guimarães (PPB), disse ontem que ainda não sabe o que fazer com os moradores que ficarem sem as telhas. Por enquanto, ele recebeu uma ajuda extra de 500 telhas, doadas pela Prefeitura de Boa Esperança. ‘‘Também estou esperando ajuda do Estado para arrumar os prédios públicos’’, diz. O hospital municipal, a prefeitura, o centro comunitário, a delegacia e a rodoviária, além de escolas e creches estão cobertos com lonas.
‘‘O Decom já fez o levantamento e agora estamos esperando ajuda’’, frisa o prefeito. O hospital municipal, que na segunda-feira teve que transferir os pacientes internados para Goioerê, já voltou a funcionar, mas terá que fechar de novo se voltar a chover. ‘‘Tudo está improvisado’’, disse Guimarães. ‘‘Sorte que não choveu mais’’. O prefeito ainda não sabe precisar o valor do prejuízo. ‘‘Primeiro vamos atender o povo e depois fazer as contas’’.
O comerciante José Vieira Lopes, 46 anos, dono de um depósito de construção há 15 anos em Janiópolis, conta que vendeu na segunda-feira todo o seu estoque de 1,6 mil telhas de cimento amianto - 1,2 mil de 4 milímetros e 400 de 6 milímetros. ‘‘Só não vendi mais porque não tinha na hora’’, disse. No comércio, as telhas de 4 mm custam R$ 3,00, enquanto as de 11 mm saem por R$ 11,00. ‘‘Ainda bem que a chuva não veio com vento’’.
A única pessoa ferida por causa da chuva, o servidor público Santino Cardoso de Andrade, continuava internado ontem em Goioerê. Ele caiu de cima da casa, quando tentava consertar o telhado, já após a chuva de granizo ter passado. Andrade fraturou algumas costelas.

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