Telescópios esperam 3 anos por conserto
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina Especial para a Folha 
Escolas estaduais no Paraná esperam há três anos que a Secretaria de Estado da Educação (SEE) conserte 58 telescópios que foram distribuídos com defeito. Os telescópios foram repassados aos colégios em 1997, com espelho plano, igual ao usado em armário de banheiro, em lugar do espelho côncavo. Quatro escolas de Londrina receberam os telescópios. Os demais foram distribuídos no restante do Estado.
A Escola Estadual Olympia Morais de Tormenta, que fica no Conjunto João Paz, zona norte de Londrina, recebeu há três anos um telescópio que nunca saiu do laboratório de ciências. A professora Maria de Fátima Suzuki Simões, 42 anos, responsável pelo laboratório, disse que na época chamou um especialista para montar o aparelho. Para nossa surpresa o espelho era do tipo comum. Sem a lente correta não tem como ampliar imagens de objetos focados. Nunca funcionou. Segundo a professora, falta também uma presilha para segurar o tubo do telescópio.
Maria de Fátima esclarece que telefonou para a SEE pedindo explicações. Me disseram que iriam consertar, mas até hoje nada. Segundo a professora, a escola até que poderia fazer algum tipo de promoção para arrecadar dinheiro e comprar o espelho, que custa cerca de R$ 500 reais. Até que não é uma quantia muito alta, mas a escola não tem recursos para isso. O Estado é que deveria substituir a peça, argumentou.
A professora Maria de Fátima informou que a maioria dos laboratórios de colégios estaduais acaba virando depósito, pois existe a estrutura física mas faltam materiais.As escolas precisam de verbas mensais para comprar as vidrarias e químicas usadas nas experiências. É o caso do telescópio. Um recurso como este torna a aula mais atrativa para o aluno, comentou a professora. Ela explicou que no telescópio, em condições normais de uso, podem ser observadas as crateras da Lua e planetas como Vênus, Saturno e Júpiter.
O funcionário público e astrônomo amador Dario Rostirolla, 33 anos, foi procurado pelas escolas para tentar solucionar o problema, mas nada pôde fazer. O que vi é um tubo oco com um espelho de banheiro dentro. Segundo Rostirolla, as dificuldades que muitos estudantes têm em relação às ciências vêm da impossibilidade de trabalhar com o concreto. Os alunos têm curiosidade em olhar para o céu e ver de perto os astros. Já vi alunos ficarem horas em uma fila para verem os anéis de Saturno, disse o astrônomo.
A Secretaria de Estado de Educação (SEED), através da assessoria de imprensa, informou que o fabricante dos telescópios faliu e não pôde substituir a peça. Segundo o SEED, alguns astrônomos ligados ao Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, estão produzindo os espelhos. A assessoria explicou que os espelhos são feitos artesanalmente e por isso não sabe quanto tempo vai levar para terminar todos eles. De acordo com o SEED, os telescópios terão que ser transportados até Curitiba para que seja feita a substituição dos espelhos.
José Luís Ungaretti da Silva, físico e astrônomo do Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, informou que um ex-funcionário do colégio já fez todos os espelhos, faltando apenas instalá-los. Silva, que já foi observador da NASA, (Agência Espacial Americana) e participou do projeto Apolo, informou ainda que as lunetas orientadoras, que ficam acopladas aos telescópios, também eram defeituosas, mas foram consertadas pelo ex-funcionário do colégio.


