O prédio histórico onde funcionou a primeira central telefônica de Londrina, em 1947, está há mais de um mês com uma placa anunciando a venda. De propriedade da Telepar, o imóvel está sendo negociado pela Imobiliária Fravretto, de Curitiba. Localizado no centro da cidade, o prédio está na mesma quadra onde funcionam a Biblioteca Pública, os Correios, a Secretaria Municipal de Cultura, a Casa de Cultura da UEL, todos remanescentes das primeiras décadas da cidade.
A Companhia Telefônica Nacional (CTN), detentora da concessão, em 31 de julho de 1947 inaugurou a central, que funcionava manualmente e à bateria. Inicialmente a capacidade era de 1.000 terminais, mas somente a metade foi ativada.
O imobiliarista Jorge Favretto, de Curitiba, informou que a Telepar colocou vários imóveis à venda, em diversas cidades do Paraná, e o prédio de Londrina é um deles. Segundo Favretto, todas as vendas foram interrompidas temporariamente devido a fatores burocráticos, mas devem ser retomadas em um mês. Fravretto avalia o imóvel, que tem 502, 53 metros quadrados de área construída, em cerca de R$ 600 mil.
A diretora da Biblioteca Pública Municipal Lucília de Godoy Garcia Duarte disse que existe interesse em instalar no prédio da Telepar os setores de história paranaense e escritores locais. Segundo Lucília, já foram encaminhados vários projetos à presidência da empresa, mas até agora a Biblioteca nada conseguiu.
Vanda Moraes, do Patrimônio Histórico, informou que o prédio não é tombado. ‘‘Como Londrina não tem lei de tombamento, precisa haver interesse do Estado para que isso se efetive.’’ Vanda comentou que, mesmo que fosse tombado, o proprietário poderia utilizar o prédio para qualquer finalidade, desde que não alterasse as linhas arquitetônicas originais. Segundo Vanda, a prefeitura já teria solicitado à presidência da Telepar o uso do prédio em regime de comodato, já que a Cultura não dispõe de recursos para adquiri-lo.
A Sercomtel, por meio de sua assessoria, informou que, antes da privatização da Telepar, há cerca de dois anos encaminhou projeto sugerindo que fosse montado, em parceria também com a Embratel, um museu de telefonia. Para isso, a Sercomtel já tem um acervo histórico que inclui aparelhos de telefone antigos, documentos e fotos de época. Como a Telepar não manifestou interesse a Sercomtel está procurando um local apropriado e de fácil acesso à visitação pública.
A Telepar declarou que o imóvel vai mesmo ser vendido, assim que o processo técnico da avaliação seja realizado. Como isso ainda não aconteceu, a placa de venda vai ser retirada, mas volta logo que o prédio for avaliado. Somente este ano a Telepar espera investir cerca de R$ 670 milhões em expansão de terminais e melhorias de serviços. O dinheiro arrecadado com a venda dos imóveis, portanto, será destinado em investimentos no próprio Estado.

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