Telefonista presa por racismo ganha liberdade provisória
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Marcos Zanatta 
O juiz José Camacho dos Santos, da 1ª Vara Criminal de Maringá, concedeu liberdade provisória para a telefonista Luciana Ortêncio, presa anteontem acusada de racismo. Ela foi detida em flagrante depois de desacatar dois policiais. O crime de racismo é inafiançável mas, segundo a polícia, a manutenção da prisão depende da interpretação da Justiça. A Folha tentou ontem falar com o juiz Camacho, que não foi localizado no Fórum.
A prisão de Luciana aconteceu no início da manhã de terça-feira. Ela e a irmã, Márcia Angela Ortêncio, brigaram na saída do baile de carnaval do Clube Olímpico. A briga continuou no condomínio onde Márcia mora, na zona sul da cidade, até que ela resolveu chamar a polícia. O sargento Benedito Rafael Vilgue, 38 e o soldado Valter Augusto de Oliveira, 34, atenderam a ocorrência e tentaram prender Luciana por lesões corporais na irmã.
Luciana se recusou a entrar na viatura e começou a xingar os policiais, chamando Oliveira de negro sujo, chutando o vidro do veículo e gritando que culparia a polícia pelos hematomas que tinha pelo corpo. Já dominada, ela continuou a maltratar Oliveira. Ao chegar na delegacia, Luciana passou a xingar o investigador Sirlei José da Silva Rodrigues, que também é negro. Antes de ser autuada, ela ainda cuspiu nos dois policiais e deu uma tamancada em Rodrigues.


