A telefonista londrinense Rosemary Garcia Ferreira, 32 anos, deve ser colocada em liberdade, neste final de semana. Ela está presa desde maio de 1996 na Penitenciária Feminina Casa do Bom Pastor, em Assunção, Paraguai, acusada de tráfico internacional de drogas. Rosemary foi detida tentando embarcar para Espanha, portando quatro quilos de cocaína colados ao corpo com fita adesiva. Julgada pela Justiça paraguaia, foi condenada a 10 anos de prisão.
No dia 6 de outubro saiu a decisão final da Corte Suprema do Paraguai, assinada pelos ministros Wildo Rienzi Galeano, Jerónimo Irala Burgos e Felipe Santiago Paredes, que desqualificou o crime, atendendo pedido de revisão da pena solicitada pelo Comite de Iglesias para Ayudas de Emergencia (Cipae), entidade paraguaia de ajuda humanitária. A confirmação, porém, veio somente esta semana, através de uma cópia do documento encaminhado ao advogado Jorge Custódio Ferreira, irmão de Rosemary.
‘‘A nossa expectativa é que ela seja libertada, neste final de semana. A pena foi reduzida pela metade e, como Rosemary está detida há mais de quatro anos e já cumpriu mais de dois terços, deve sair o mais rápido possível’’, comentou Ferreira. Junto com o pedido de liberdade condicional, também foi encaminhado à Corte Suprema uma autorização para que ela possa viajar a Londrina, para visitar os familiares. Ainda não houve despacho neste pedido.
Jorge Ferreira acredita que, como Rosemary está casada com o advogado Ramon Ranulfo Fanego Baldann, deverá continuar morando em Assunção. Mas descartou acionar judicialmente o sistema penitenciário do Paraguai nas denúncias de maus tratos ocorridos contra a sua irmã, nos quatro anos de prisão. ‘‘Ela estará morando no Paraguai e não queremos perseguição contra ela. O que queríamos, que era a liberdade, já foi conseguida’’, apontou.
De acordo com Ferreira, um dos fatores que favoreceu na decisão da Corte Suprema foi a mobilização da comunidade londrinense em torno da questão. Durante este período, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Centro de Direitos Humanos (CDH), Câmara de Vereadores de Londrina, Assembléia Legislativa do Paraná, entre outros órgãos, se mobilizaram e conseguiram repercussão nacional. ‘‘Tudo isso, aliado às matérias publicadas na imprensa, ajudaram na decisão dos ministros paraguaios para reduzir a pena e colocá-la em liberdade’’, disse.