Com 43,07% das reclamações sobre serviços e 28,91% do total de reclamações registradas no Procon em 2006, a telefonia (móvel e fixa) é a campeã das reclamações. Problemas com os aparelhos, serviço de atendimento ao consumidor que não funciona e promoções não cumpridas estão entre as reclamações mais frequentes. Devido ao grande número de reclamações nas grandes operadoras, muitas já dispõem até de um serviço de atendimento específico para os Procons de todo o país. ''Procon não é balcão de atendimento de telefônicas'', alfineta a assessora jurídica Rejane Aragão, ao lembrar que as operadoras deveriam melhorar seu atendimento ao consumidor. ''É mais lucrativo e cômodo para a empresa resolver apenas alguns casos, que são os de quem reclama. Se todos reclamassem, o 0800 seria mais eficiente'', lembra.
Mas, mais preocupante que a telefonia, estão os registros nas áreas de assuntos financeiros, que correspondem a 21,36% do total. ''Telefonia tem o maior número de reclamações, mas os bancos e as financeiras são as mais prejudiciais, capazes de prejudicar toda uma família'', argumenta Rejane.
A assessora jurídica ressalta que, nessa área, os idosos é que costumam ser os mais afetados. ''Há financeiras que abordam o idoso, convencendo-o da importância de se fazer um empréstimo, mas sem esclarecer alguns pontos, ou praticando parcelas abusivas'', adverte.
O advogado Marco Antônio Gonçalves Valle revela que as instituições bancárias são alguns dos principais alvos de reclamações por parte de seus clientes. Em sua avaliação, o Código de Defesa do Consumidor ajudou a melhorar muito o atendimento ao cliente, mas ainda há adequações a serem feitas. Como exemplo, Valle lembra do anatocismo (cobrança de juros sobre juros), que deixou de ser indevida com uma medida provisória editada em 2000. ''Mas há diversas decisões judiciais contrárias'', alega, relatando a história de um cliente que, devido aos juros, teve sua dívida de R$ 10 mil aumentada para R$ 30 mil, e conseguiu, através de um acordo com o banco, reduzir a dívida de volta aos R$ 10 mil. ''Graças à proteção do Código'', assevera. (A.I.)

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