Telefone público também é alvo de ''gato'', apelido da operação ilegal que se popularizou nos serviços de abastecimento de energia elétrica. Assim como infratores se aproveitam das ligações de luz alheias sem pagar nada, também há aqueles que ''puxam'' as linhas de telefones públicos para fazer quantas ligações quiser sem pagar nem um centavo. Em Londrina, a Sercomtel chegou a contabilizar R$ 273 mil de prejuízo em apenas um ano devido a essas fraudes.
Para combater o crime, a empresa está apostando todas as fichas em um novo sistema chamado ''anti-tapping'', ou ''anti-fraude'', que identifica a irregularidade no momento em que ela acontece. O software, os aparelhos e a mão-de-obra necessários para monitorar os 4.043 telefones públicos de Londrina e Tamarana (62 km ao sul de Londrina) totalizam um custo de R$ 161 mil. Para o coordenador de telefonia pública da Sercomtel, Gilberto Dias de Melo, o investimento é válido porque o sistema promete acabar com 100% do problema.
Melo explicou que o sistema foi desenvolvido por um fabricante a pedido de um grupo de companhias telefônicas brasileiras, incluindo a Sercomtel, que trabalharam em conjunto durante três anos até chegar ao resultado ideal. ''Embora já tenhamos sofrido um grande prejuízo com a fraude, ainda consideramos Londrina privilegiada. O problema já é bem mais grave em outras cidades do País'', observou.
No ''gato telefônico'', o fraudador puxa a linha de um telefone público como se estivesse usando um ramal. Segundo Melo, isso é feito com uma emenda simples de fios, sem grande dificuldade para quem já está acostumado a esse tipo de operação. ''Está acontecendo na cidade inteira, sem distinção de bairro rico ou pobre. Até hoje, só conseguíamos identificar o problema quando eram feitas muitas ligações de um mesmo telefone ou quando havia denúncias'', comentou. ''O prejuízo é todo da Sercomtel, que deixa de faturar com a venda de cartões.''
O sistema anti-fraude funciona com uma placa de circuito instalada na central telefônica da Sercomtel. Junto à placa, um software reconhece quando um telefone não autorizado está utilizando a linha de um telefone público e derruba imediatamente a ligação. De acordo com Melo, a atualização do sistema poderá ser feita à distância para metade dos telefones públicos da cidade, enquanto os demais terão que receber manutenção pessoalmente.
O coordenador informou que o equipamento foi testado com sucesso em telefones públicos do Aeroporto de Londrina. A instalação do sistema, agora para valer, deve ser concluída até julho, em todos os aparelhos públicos de Londrina e Tamarana.

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