Israel Reinstein
Os telefones públicos do Centro de Curitiba estão se transformando em grandes veículos de anúnciosclassificados. Colados nos aparelhos ou mesmo na estrutura do ‘‘orelhão’’, estão os mais diversos anúncios, que vão da venda de celulares a aluguel de apartamentos ou quartos. Caso o usuário queira, é possível ainda agendar um encontro com uma garota de programa ou comprar e vender cartões telefônicos (ver matéria ao lado). No entanto, a Telepar avisa que este tipo de anunciante está comentendo um crime.
Apesar da possibilidade de ser punido, com detenção e multa, quem anuncia afirma que o retorno é garantido. ‘‘É um veículo que dá resultado, sai barato e atinge um monte de gente’’, avalia o Adilson Soares, dono de um pensionato. Ele conta que há três anos utiliza-se desse ‘‘classificado’’ para alugar quartos para estudantes e jovens trabalhadores. ‘‘Como os meus clientes usam bastante o orelhão, sempre tem alguém ligando’’, afirma.
Soares acredita que a metade dos 20 hóspedes da pensão é fruto dos anúncios. ‘‘Enquanto, uma pessoa espera a confirmação da ligação, geralmente passa os olhos pela cabine’’, afirma Nathalyé, que é garota de programa. Uma vez por semana, ela paga um rapaz para colocar bilhetes, informando seu telefone e que tipo de serviço presta. Ela diz que por mês gasta cerca de R$ 60,00 na confecção e afixação em orelhões. A moça fatura por cada encontro R$ 50,00, sendo que, segundo ela, realiza uma média de 20 programas por semana.
‘‘O resultado é positivo’’, diz Nathalyé. ‘‘Tenho o mesmo resultado se anunciasse em um jornal’’, afirma, explicando que já fez a comparação entre os dois veículos.
Porém, para o vendedor de cartões, Marlus José de Oliveira o orelhão é o melhor classificado para seu mercado. ‘‘O próprio colecionador busca nos orelhões onde comprar e vender o produto’’, diz. Itacir Moreira, do Clube de Colecionadores, diz que telecartofilista sabe sobre vendas de cartões especiais, indo aos telefones públicos.
Para Marlus de Oliveira, o único fator negativo do orelhão é que a cada semana precisa renovar os anúncios. ‘‘Sempre tem alguém que rasga ou risca’’, reclama. Além disso, a Telepar tem empresas terceirizadas, responsáveis pela limpeza dos telefones. Normalmente, o trabalho é feito toda semana.
Oliveira afirma que existem no mercado gráficas especializadas em produzir os classificados de telefones. Em média, um milheiro sai por R$ 15,00. ‘‘O que é um valor razoável’’, diz. Porém, para a Telepar esse tipo de classificados é muito ruim. De acordo com a assessoria de imprensa da operadora, além da poluição visual, os anúncios atrapalham, porque a empresa perde espaço para colocar avisos de serviços ofertados.Comerciantes, donos de pensão e até prostitutas usam os aparelhos e cabines para oferecer seus produtos e arrumar clientes
Kraw PenasClassificadoOrelhões do centro da cidade se transformaram em rentáveis veículos de mídia agradando usuários e prestadores de serviço

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