Edson Mazzetto‘A Voz do Imbecil’ Gallo e a turma do programa Telefone Pirata: personagens variados pregam peças inocentes nas pessoas, que depois riem da própria ingenuidadeO ‘‘Telefone Pirata’’ não é inédito, porque há programas semelhantes em outras regiões, mas ele aprimorou-se exatamente a partir destes. Depois da sonora abertura com a locução ‘‘A Voz do Imbecil’’, começa o desfile de personagens, interpretados por Gallo e outros apresentadores. O próprio Gallo é quem faz a descrição destes personagens.
Um deles, Seo Hipólito, é um velhinho que parou no tempo. Ele lembra que precisava de um advogado e procurou Rui Barbosa, que não pôde atendê-lo porque estava na Conferência de Haia. Um dia, pensou em ir para Londrina, para ajudar seu amigo João Milanez a entregar a Folha de Londrina de jipe.
O Zé Bréqui é um crioulo, originalmente o ‘‘Black’’. Desempregado, liga para as casas oferecendo-se até como ‘‘empregada doméstica’’.
Outro personagem é o pastor da Igreja Só Seu Dinheiro é Meu (versão hilária de ‘‘Só o Senhor é Deus’’. ‘‘Ele vende até lote no Céu, os vizinhos a São Pedro custam mais, e ao lado de São Benedito são baratinhos’’, diverte-se Gallo.
Vadalco é um sujeito que liga para oficinas mecânicas, reclamando de consertos que teriam sido feitos em seus carros - TL, Brasília e outros carros velhos e fora de linha, e que já não valem nem o preço do conserto.
Orlando Ofeio, personagem derivado de Orlando Orfei, já ligou para uma prefeitura da região dizendo que queria instalar o circo na cidade, e recebeu até oferta do terreno e garantias de que não pagaria qualquer taxa.
Suzi, um garotão esbelto que não rejeita companhia pela diferença de sexo, ligou para um conhecido cabeleireiro de Cascavel, apresentando-se como recém-chegado de Caxias. Suzi conseguiu estabelecer no ar uma conversa extremamente íntima. Chegou a marcar encontro com o cabeleireiro, com direito a levar consigo um grupo de rapazes para uma festinha. O cabeleireiro fez revelações surpreendentes quanto às suas amizades e outras preferências.
Gil Bebes (Gil Gomes) liga para um delegado calça-curta da região, ávido por aparecer, dizendo que queria fazer uma avaliação ‘‘do trabalho de nossos valorosos policiais’’. Ouviu insistentes pedidos para que visitasse a delegacia. Por fim, o delegado implorou que ele citasse seu nome na televisão e que dissesse ‘‘que o doutor delegado está fazendo um trabalho elogiado por todos’’.
Gallo explica que não pede autorização das suas ‘‘vítimas’’ para pôr no ar as conversas. ‘‘Uma vez o Vadalco ligou para um detetive, dizendo que queria investigar a mulher, que lhe colocara chapéu de vaca na cabeça, mas depois de tudo gravado o cara não aceitou. Nunca mais pedi autorização’’.
Segundo Gallo, as pessoas acabam se divertindo com sua própria ingenuidade quando ouvem o programa gravado. Muitas pessoas acabam ligando para os ‘‘piratas’’, sugerindo brincadeiras com familiares ou amigos. ‘‘O negócio é fazer graça, e as conversas acabam sendo surpreendentemente engraçadas, pois saem naturalmente, uma vez que as ‘vítimas’ nem desconfiam da armação’’, diz.
‘‘Não há por que as pessoas se ofenderem, uma vez que não usamos palavrões ou baixarias’’, defende-se o radialista. São raras as reclamações feitas à direção da emissora. ‘‘Aliás, ela nos dá a maior força, segurando a barra’’.
Gallo, que também é repórter da TV Tarobá, começou no rádio em 79, também por pirataria. Ele puxava fio para o repórter esportivo, que em determinado dia de jogo de futebol, atrasou-se para a abertura da transmissão. ‘‘O microfone estava ali, o fone de ouvido também. Não tive dúvida. Comecei a falar’’, conta.

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