Telefone 190 tem má utilização
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2002
Denise Angelo Equipe da Folha 
Ponta Grossa Crianças passando trote, mulheres solitárias procurando companhia de madrugada, reclamações sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), pedidos de informações sobre itinerários de ônibus. Essas são algumas informações que a população de Curitiba e Região Metropolitana têm procurado através do telefone 190, da Polícia Militar. Das nove mil ligações que o sistema recebe por dia, apenas 11% são realmente casos de polícia.
O excesso de ligações pedindo informações que não dizem respeito a Polícia Militar, acaba prejudicando aquelas pessoas que realmente precisam da ajuda policial. Segundo o assessor de imprensa da PM, Marco Antônio Assef, a corporação está preparada para atender um grande número de chamadas. Ninguém fica sem ser atendida, mas às vezes uma pessoa que precisa de atendimento urgente acaba tendo que esperar, explica.
Desde o dia 17 de dezembro, quando houve a centralização dos serviços de atendimento a acidentes de trânsito (antigo 194), do Corpo de Bombeiros e Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência - Siate (193) e dos telefones de emergência de nove municípios que fazem divisa com Curitiba, o número de ligações para o 190 cresceu 65%. Mas o número de ocorrências geradas através dessas ligações aumentou apenas 31%, o que prova que o sistema está congestionado com ligações que não dizem respeito à Polícia Militar.
Segundo Assef, o período de férias escolares complica ainda mais a situação. Muitas crianças que ficam em casa enquanto os pais trabalham, aproveitam para passar trotes. Quando as ligações geradas do mesmo número de telefone são muito repetitivas, ligamos para os pais e pedimos para que controlem seus filhos, mas nem todos acreditam na nossa queixa, conta Assef.
Outra recomendação feita pela corporação para evitar o congestionamento das linhas é que o usuário não ligue várias vezes em seguida, caso encontre a linha ocupada na primeira tentativa. Ao desligar e ligar novamente, a pessoa cai para o final da fila e consequentemente terá que esperar ainda mais para ser atendido, explica.
O Centro de Atendimento da Polícia Militar conta hoje com 36 atendentes em cada turno de trabalho. A maioria das solicitações ao 190 são feitas de madrugada, especialmente nos sábados, quando o número de ligações chega a passar de 10 mil.


