Sete meses depois das primeiras denúncias contra o TeleBingão Milionário, promovido pela empresa Olho Vivo, do empresário Luiz Batista, nenhum ganhador recebeu seus prêmios. A Associação Banestado, que autorizou o empresário a fazer os sorteios em nome da entidade, teve um prejuízo de R$ 2,5 milhões, entre prêmios não entregues e impostos não recolhidos. A associação ingressou na Justiça para receber esse dinheiro.
Batista não é encontrado em Curitiba desde o escândalo, em março. Existem três inquéritos contra ele. Dois estão na Delegacia de Estelionatos, o primeiro por apropriação indébita, denunciada pela Associação Banestado; e o outro, pela gráfica que imprimia as cartelas. A terceira investigação, feita pela Central de Inquéritos, engloba a denúncia de um grupo de 17 premiados.
Juraci Hilgenberg, 51 anos, mora em Ponta Grossa e, em dezembro do ano passado, ganhou um caminhão Chevrolet-GMC. O prêmio foi avaliado em R$ 55 mil, valor de um cheque entregue por Batista à família. ‘‘Ele queria que assinássemos um documento dizendo que havíamos recebido o prêmio, mas não concordamos e pegamos um cheque pré-datado. Mas o cheque estava sem fundo’’, contou Mauro Alex Hilgemberg, filho de Juraci.
A família entrou com uma ação na Justiça e tem esperança de recuperar o dinheiro. ‘‘Nossa advogada acredita que iremos ganhar a ação, mas isso demora um pouco’’, afirmou Juraci. Além do valor do prêmio, a família quer mais R$ 40 mil, alegando danos morais.
Com um pouco mais de esperança estão Durval Dionísio e Gumercindo Teodoro da Silva. Eles entraram com uma ação contra a Associação Banestado no valor de R$ 25 mil cada uma. Há três meses, a Justiça mandou a associação depositar o dinheiro em juízo, mas a entidade recorreu. ‘‘As pessoas negociaram diretamente com Luiz Batista e é a empresa dele que deve ser acionada’’, afirmou José Carlos Busatto, advogado da Associação Banestado.

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