Alfeu Teixeira, 41 anos, pedreiro, morador de Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina), não vai se esquecer da noite de 19 de abril de 1997. Por volta de 20h30, concretando a laje do primeiro pavimento de um edifício na Rua Tupi, centro de Londrina, o pedreiro se aproximou da bica de descarga do caminhão betoneira para segurar a tubulação bomba. Quando virou de costas para chamar o mestre de obras, a bica de descarga se soltou e caiu em cima das pernas de Teixeira. ‘‘Calculo que uns 600 quilos caíram em cima de mim. Quando vi estava no chão, com o joelho esquerdo quebrado’’, relembra.
De acordo com o laudo pericial, Teixeira teve prejuízo de 85% na coxa e joelho. Um ano e meio depois da cirurgia voltou a trabalhar mas não aguentou. Parou após oito meses. ‘‘Eu arrasto a perna e, devido ao esforço, minha perna direita também está ficando comprometida’’, conta.
Atualmente, ele sobrevive com R$ 142,00 que recebe do benefício de Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Deste dinheiro, ele tira R$ 120,00 para pagar o aluguel. O restante é para as despesas de casa. ‘‘Ajuda, só daquele lá de cima’’, aponta para o céu. Regularmente, passa por perícia médica até que a aposentadoria por invalidez seja efetivada. Segundo o pedreiro, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil acionou a Justiça exigindo indenização junto à contrutora do edifício.
Joana D’Arc Pereira, 38 anos, esposa de Alfeu Teixeira, conta que a vida agora ficou mais difícil. ‘‘Ele sente dores para tomar banho, tem dificuldades para trocar de roupa e vive à base de analgésicos’’. Os três filhos que o pedreiro teve no primeiro casamento são adultos e não dependem do pai. ‘‘Se ele tivesse que tratar de filho não sei como a gente ia fazer’’, diz Joana.
Periodicamente, Teixeira tem que se submeter à infiltração no joelho para retirada de coágulos. Revela que tem vergonha de usar bermuda porque a perna afinou. Sofre crises convulsivas por causa do acidente: ‘‘Fico nervoso por não poder trabalhar como antes’’, relata o pedreiro. Ele tem esperanças de receber o dinheiro da indenização para poder comprar uma casa. ‘‘Eu acredito que vou conseguir um dia. Deus é grande’’.

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