'Teimoso, corria atrás dos ideais'
Marco Veronesi
O jovem Remo queria fazer um presente a todos nós. Queria fazer crescer a mais bonita planta do mundo do nosso jardim. Uma planta que pudesse fazer sombra no quente sol e dar frutos maduros no momento da fome e balançar as nossas crianças com balanços pendurados aos seus longos ramos. Mas esta árvore não se encontrava.
E então, o jovem Remo viajou e viajou muito, sulcou os oceanos e escalou as montanhas e procurou com ansiedade e cavou com suas mãos até encontrar uma semente, a semente da árvore do amanhã. Viajou então feliz e satisfeito até voltar a nós, nas suas mãos levadas ao peito segurava cuidadosamente a semente.
Plantou-a no nosso jardim e começou a regá-la feliz e ansioso, dançando-lhe em volta como para incitá-la. Mas quem passava por aí não entendia a sua mímica e se perguntava perplexo porque toda esta energia, porque toda aquela teimosia por uma coisa quase invisível. Mas o jovem Remo continuava incansável e dizia entre si: Aqui nessa terra fértil a planta crescerá mais alta e forte que todas suas irmãs. Os dias passam e o jovem Remo regava, dançava e perdia forças. Perdia as forças e sua semente não brotava, mas ele continuava e teimoso não prestava atenção a quem o criticava e não o entendia.
Depois de cem dias e cem noites insones, o jovem Remo caiu ao lado da sua semente e, enquanto seus cansados olhos se fechavam, a semente abria os seus frágeis braços em mudas verdes e novas. Hoje a árvore é uma jovem muda cujas folhas sorriem para quem passa e crescendo começa a mostrar um pouco da sua beleza.
Esta árvore nova se chama Paraná-Europa e quando tiver crescido e se fortalecido pelo sol e por essa terra roxa e fértil, fará sombra e dará frutos a quem precisar, e fará brincar e crescer as nossas crianças com proteção dos seus galhos. E um dia, forte, imponente, símbolo da nossa cidade, dançando ao vento recordaremos a dança do jovem Remo, que teimoso corria atrás dos seus ideais.





