Londrina - Quem iria imaginar que uma família que veio da Itália em meados do século 19 e que se espalhou por várias cidades do Brasil pudesse se reencontrar graças à internet e a um aplicativo de telefone celular? A família Pasqualino sempre foi bastante unida, mas por motivos diversos os integrantes acabaram perdendo o contato uns com os outros. O restabelecimento da ligação entre a família só aconteceu depois que um dos descendentes, Lincoln Pasqualino, começou a procurar os parentes por meio de uma rede social. Mesmo assim os diálogos ainda eram esparsos, até que surgiu um aplicativo para telefones celulares que permite mensagens instantâneas. Surgiu ali um diálogo intenso entre os familiares que estavam distantes e no ano passado ocorreu a ideia de reunir todos em uma grande festa neste Carnaval.
Todos eles são descendentes de Pedro e Tercina Pasqualino, que vieram da Itália ainda pequenos. Eles se conheceram no Brasil e se casaram. O primeiro Pasqualino brasileiro foi Alberto, que se casou com Rosa Sandrini, e juntos tiveram oito filhos: Luís, Ivo, Paulo, Maria Aparecida, Toninho, Nata, Lúcia e Sérgio. "Meu pai sempre foi um bom administrador de fazendas. O que eu lembro é que eu chamava meus avós de nono e nona. Ele se vestia como um típico italiano e minha avó usava uma saia comprida e avental. Como meus avós só falavam italiano, meus pais ficavam traduzindo e explicando o que eles queriam dizer. Eu aprendi muito pouco do idioma e o que aprendi esqueci", revelou Maria Aparecida Pasqualino, de 68 anos, quarta filha de Alberto e Rosa.
Como Alberto sempre recebia propostas profissionais tentadoras, mudou-se várias vezes de cidade: Maringá, Cianorte, Mandaguari e Rolândia estiveram no roteiro da família. "Nasci em Rolândia na época em que a cidade se chamava Caviúna", revelou Maria Aparecida.
Atualmente moradora de Cianorte (Noroeste), Maria Aparecida relembra que durante o período de guerra sua família sofreu muito. "Eu me lembro que um dos meus tios, João Pasqualino, mesmo sendo descendente de italianos, foi chamado para a guerra. Ele estava na Batalha de Monte Castelo, que foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército alemão, que tentavam conter o seu avanço no Norte da Itália. Ele sobreviveu ao conflito, mas teve sequelas já que levou um tiro na perna", revelou Maria Aparecida.
A professora aposentada Naide Maria Pasqualino, de 77 anos, estava empolgada ao ver toda a família reunida. Ela foi a primeira nora de Alberto Pasqualino, o primeiro da família a nascer no Brasil.
Dos 84 membros da família espalhados por todo o Brasil, pouco mais da metade veio para Londrina para participar da festa. Naide Maria, que é moradora do Jardim Interlagos (zona leste), relata que se casou com o primogênito Luís em Rolândia, quando a família morava em Jandaia do Sul. "Meu marido era ferroviário e depois se mudou para Londrina no controle de trens." Naide se tornou viúva há 35 anos, mas sua dedicação à família possibilitou que todos os filhos fossem bem educados, façanha da qual se orgulha intensamente. "Imagine ficar viúva com filhos adolescentes. O mais novo tinha 11 anos", contou.
Por morar perto de onde os trens circulam ainda hoje, ela relata que ainda se emociona ao ouvir o barulho dos trens. "Dá uma saudade daquela época. Tanto que hoje o meu local preferido é o Museu Histórico. Compro tudo o que está relacionado a ele. Recentemente comprei cadernos e réguas só porque possuíam o desenho da antiga estação ferroviária", revelou. Mas por trás dessa saudade, ela revela que seu marido foi esquecido dos registros da história e não foi homenageado tempos atrás quando ex-funcionários da estação ferroviária receberam tal deferência pelo Museu Histórico.

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