Tecnologia já revoluciona sala de aula
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sábado, 15 de abril de 2006
Ricardo Westin<br>Agência Estado 
São Paulo As provas já podem ser feitas em casa, pela internet. Os professores fazem a chamada com computadores de mão. As circulares endereçadas aos pais chegam pelo e-mail. O avanço da revolução digital sobre as salas de aula não poupa nem mesmo a boa e velha combinação do giz com o quadro-negro: as lousas agora são digitais e interativas.
As novas tecnologias não se limitam à casa ou ao trabalho. Também os colégios obviamente com mais força os particulares têm se preocupado em adotar as novidades. Aos poucos, deixam de encarar a revolução digital na educação como um laboratório cheio de computadores destinados a lições de informática aplicada.
''As crianças e os adolescentes de hoje são nativos digitais. Nasceram no mundo do computador, do celular. Ao contrário de nós, que somos imigrantes digitais. Se não nos adaptarmos, o diálogo com eles ficará difícil'', afirma o professor Sérgio Américo Boggio, um dos diretores do Colégio Bandeirantes, de São Paulo.
O avanço é tão rápido que essa escola aboliu o quadro-negro de 70% das salas. A chamada lousa digital, vedete dos colégios hi-tech, ocupou seu lugar. Parece um simples projetor ligado a um computador. Mas é só a primeira impressão. Além de escrever, o professor pode usar som e vídeo e acessar a internet. E não precisa se debruçar sobre o computador: tudo é feito diretamente na lousa, com canetas e apagadores especiais.
Isso, na avaliação dos profissionais da área, é uma vantagem tanto para alunos como para professores. ''Acho um privilégio que eles pertençam a uma geração com tantos recursos'', diz Solange Perazza, coordenadora do Colégio Pentágono, também em São Paulo. ''Antes, as coisas vinham de uma forma abstrata. Nós tínhamos dificuldade para aprender, elaborar internamente determinados assuntos. Hoje se aprende com muito mais facilidade. E nós, professores, precisamos correr para acompanhar.''
Uma sala equipada com lousa digital não sai por menos de R$ 20 mil. As escolas esclarecem que a parafernália é incorporada aos poucos, para não assustar os pais na hora da cobrança da mensalidade.
Tanta novidade às vezes espanta até os alunos. ''Não imaginava que poderia haver tanta coisa numa sala de aula'', diz Emília Arapenha, de 18 anos, estudante do Colégio Bandeirantes, referindo-se aos momentos em que a turma recebe controles remotos.
Diante da pergunta do professor, em vez de o sabe-tudo levantar a mão, todos apertam a alternativa que julgam correta. Um aparelho ''apura os votos'', e o professor fica sabendo se o tema foi bem explicado. ''A aula fica dinâmica. Até parece gincana de TV'', ri Emília.


