Tecnologia ignorada
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Lucinéia Parra<bR>Equipe da Folha 
Maringá - Pequeno, discreto e muito eficaz, o telefone celular virou mania nacional. Para muitas pessoas, o aparelho é sinônimo de status, de riqueza e até de poder. Aqueles que ainda não conseguiram comprar um por questão exclusivamente financeira, sonham com a possibilidade de um dia vir a tê-lo. Sua funcionalidade é inquestionável, ainda mais para profissionais liberais e mesmo empresários que têm sempre a agenda cheia e podem utilizar o equipamento para resolver diversos problemas. Mas para Andréia, uma corretora de imóveis que atua na área há mais de 12 anos, o celular é quase um transtorno. Uma verdadeira pedra no caminho dela. Por causa dele, Andréia levou bronca de clientes, do chefe e até do marido, que aliás foi quem lhe presenteou com o celular.
Consciente das vantagens do celular, mas totalmente desligada e sem a menor pretensão de desfilar com o aparelho por todo canto - como fazem muitas pessoas que gostam de exibir o celular apenas para se aparecer -, Andréia é campeã em esquecer o dito cujo em quase todos os lugares. Nas empresas dos clientes, no carro e em casa, de onde sai cedo e só volta no finalzinho da tarde - às vezes só à noite.
O marido dela cansou de criticá-la. Ameaçou até mesmo recolher o aparelho e vendê-lo diante do pouco caso que Andréia dispensa ao aparelho. Para o chefe, Andréia não aguenta mais inventar desculpas para justificar os esquecimentos.
Dia desses, enquanto tentava fechar a venda de um imóvel, não é que Andréia esqueceu o celular no escritório do cliente. Minutos depois, recebeu um telefonema no local de trabalho. Do outro lado da linha, o tal cliente a informa que não era para ficar preocupada porque o celular estava no escritório dele. Era só passar lá e pegar. Só ao desligar o telefone é que Andréia se deu conta que estava mesmo sem o celular. Ao relembrar as palavras e o tom de preocupado do cliente, e relatar o fato para as amigas que já estavam acostumadas com os esquecimentos dela, foi irresistível uma gargalhada. Como se tivessem combinado, as duas colegas de trabalho de Andréia exclamaram:
Você Andréia, preocupada com o celular. Oh! coitado!


