Um programa de visualização de imagens capturadas por satélite é a nova arma no combate contra focos do mosquito transmissor da dengue. O Google Earth está sendo usado pela Secretaria Municipal de Saúde de Londrina para identificar as casas com piscinas e facilitar a fiscalização. Uma equipe de agentes foi designada para cuidar apenas desses casos. Em especial, dos imóveis que estão fechados e representam maior risco.
  O mapeamento indicou a existência de 2.743 piscinas na cidade. Ontem, a equipe especializada começou a fazer a investigação dos pontos indicados nos mapas obtidos pela internet. A casa do protético André Val, 33 anos, no Jardim Aeroporto (Zona Leste) foi uma das primeiras a receber a visita dos agentes.
  Apesar da grande quantidade de folhas, o local estava limpo de focos da doença. ‘‘Limpo a piscina uma vez por semana no verão e três vezes por semana no inverno. E acho que essa fiscalização realmente tem de ser feita’’, elogiou Val, que mora numa das regiões onde existem mais piscinas na cidade.
  Na Zona Leste, foram identificadas 659 piscinas. O maior número foi encontrado nas regiões Oeste (761), Sul (708), seguidas pelas áreas Central (464) e Norte (151).
  Uma das maiores preocupações são os imóveis abandonados ou fechados. Para ter acesso a essas residências, a secretaria conta com a colaboração de imobiliárias. Mesmo assim, o Levantamento do Índice Amostral (LIA) de infestação do Aedes aegypti na cidade é de 1,1%, acima do nível recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 1%.
  O combate é feito com campanhas de conscientização, fiscalização e multas. Apenas nesse ano, 1.025 autuações foram lavradas pelos agentes. Todas estão em fase de recurso.
  De acordo com o diretor de saúde ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Maurício Barros, a multa tem ‘‘um resultado pedagógico muito importante.’’ ‘‘A questão financeira não é de interesse da secretaria. E a conscientização da população é um processo que dá resultados, só que a médio e longo prazos’’, avaliou.
  A secretaria registrou do início de janeiro até ontem 447 casos confirmados da doença: 405 autóctenes e 42 importados. No mesmo período, foram 2.506 notificações. Desse total, 1.304 casos foram descartados e 755 estão em fase de investigação.
  Um exemplo prático de conscientização é demonstrado pelo fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Eliton Bembem. Vizinho de uma casa com piscina que está para alugar, ele passa diariamente no local para vistoriar possíveis focos e colocar cloro. ‘‘A piscina está verde, feia, mas não tem foco do mosquito’’, garantiu o fiscal, que já teve a doença há dois anos.

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