Tecnologia como aliada no combate a fraude
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sábado, 16 de janeiro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Com o objetivo de combater fraudes em medidores de energia, a Copel tem usado um programa de computador para identificar possíveis irregularidades e inspecionar imóveis. O gerente de inspeção da companhia, Marcos Dantas de Oliveira, destaca que a efetividade das fiscalizações cresceu. O número de fraudes identificadas passou de 13% em 2013 para 30% em 2015.
Por meio do software, é identificado o imóvel onde ocorre variações bruscas no consumo, o que é um indicativo de possível fraude. Com essa informação em mãos, técnicos fazem medições no local e em laboratório, para verificar se houve fraude.
"Nós mais do que dobramos essa efetividade. O objetivo do uso desse software é ter resultado financeiro mais rápido, realizando menos inspeções, e estamos conseguindo", destacou. Ele explicou que essa necessidade de melhorar a eficiência das fiscalizações decorre de uma norma da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que determina um período máximo para fazer essa recuperação de valores. "Se passar de 36 meses não há mais como recuperar esse dinheiro", destacou.
Oliveira aponta que a Copel possui uma equipe de 60 inspetores destacados especificamente para identificar fraudes em todo o Estado e mais de 2 mil eletricistas que trabalham diariamente nas ruas e que também ajudam a identificar qualquer tipo de adulteração. Em 2015, foram realizadas 55 mil inspeções no Paraná, das quais 15 mil detectaram irregularidades. Essa fiscalização possibilitou o retorno de R$ 23 milhões aos cofres da Copel. "Na região de Londrina foram acima de 3,5 mil inspeções, o que possibilitou a recuperação de R$ 3,4 milhões em energia furtada", apontou. "Quem vai falar se teve procedimento irregular é o laboratório. Pode ser defeito ou fraude. O primeiro passo é verificar se houve violação do lacre", afirmou Oliveira.
Uma das implicações dessas fraudes é o risco elevado de acidentes, uma vez que, na maioria das vezes, o fraudador não tem conhecimento técnico e não obedece aos procedimentos de segurança ao mexer no medidor ou na rede elétrica. Geralmente essas alterações descumprem normas de padronização e proteção adequada, fazendo com que as ligações clandestinas, por exemplo, exponham cabos de energia. Oliveira explica que as ligações clandestinas, conhecidas por "gatos", representam a segunda maior causa de mortes com eletricidade no Brasil, atrás apenas de acidentes na construção e manutenção predial.
Além disso as manobras executadas para reduzir a conta de luz de maneira fraudulenta provocam a evasão de tributos. Oliveira aponta também que existem quadrilhas especializadas que prometem "aumentar a eficiência energética do medidor de energia", quando na realidade adulteram o equipamento de maneira criminosa. Em maio de 2015, uma quadrilha foi presa em Cascavel na Operação Kilowatts/hora. Eles instalavam um software na rede para que houvesse redução na conta de luz. "Essas quadrilhas induzem o consumidor a comprar uma fraude como se fosse lícita. Elas oferecem esse serviço pela internet ou de casa em casa. Pela internet tem até medidor de energia sendo vendido. Existem quadrilhas especializadas visitando indústrias e comércio", alertou.


