Londrina - A tecnologia também está a serviço dos animais. À primeira vista, os chips para implantação em gatos e cachorros lembram um grão de arroz, mas podem conter uma série de informações importantes sobre os bichos de estimação, como o endereço do dono do animal encontrado na rua após fuga, roubo ou abandono. Tudo vai para um banco de dados que, segundo as entidades de defesa animal, contribui para uma posse mais responsável.
Em Londrina, a microchipagem dos animais é uma iniciativa que ainda está engatinhando. As implantações esbarram no custo praticado pelas clínicas veterinárias, que varia de R$ 60 a R$ 120. Um convênio entre a Prefeitura e clínicas credenciadas deve disponibilizar neste ano, gratuitamente, o serviço a guardiões que tenham cadastro no Bolsa Família. Além do microchip, os cães e gatos de famílias inscritas no programa receberão castração, vacinas e vermifugação. "O projeto já foi homologado e está na Secretaria de Gestão Pública. Já recebemos a documentação de uma empresa interessada e o processo deve seguir nos próximos dias", explica o secretário Municipal de Saúde, Mohamad El Kadri. O investimento da Prefeitura no projeto será de R$ 200 mil. Cerca de 2 mil cães e gatos serão atendidos.
O veterinário Fernando Augusto Rossi Freitas deve prestar o serviço ao município, com a possibilidade de ofertar ainda "tatuagem" para cachorro. O registro, com letras e números, é feito na parte interna da orelha do animal e também ajuda na identificação em caso de perda. "A tatuagem é para mostrar que o animal está castrado e acaba sendo muito mais barata para fazer do que a microchipagem. Quando a pessoa tem restrições, talvez por motivo de religião, é cortada a ponta da orelha do animal", diz Freitas.
Código e informações sobre o cachorro que recebeu o registro vão para um banco de dados próprio do veterinário. A relação pode ser consultada posteriormente para confirmar a propriedade de um cão desaparecido e depois encontrado. Somente na clínica de Freitas já foram "tatuados" 2,3 mil animais e cerca de 350 receberam chips de identificação. "Trabalho com este método do chip há dez anos e ainda falta muita informação. As pessoas acham que funciona como um GPS para localizar o cachorro, mas não é assim", reforça o veterinário ao explicar que a principal função dos métodos de identificação é a imputação de responsabilidade em relação à guarda dos animais. "É para ajudar que não aconteça mais o que vemos hoje: a pessoa compra um cachorro, cansa dele e depois o abandona. Se ela fizer isso, pode ser identificada depois", pontua.
O abandono de animais é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, com pena de três meses a um ano de detenção, mais multa.

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