As aulas de português no Colégio Estadual Roseli Piotto, no Conjunto José Giordano (zona norte de Londrina) ganharam um grande atrativo. Há quatro meses, aqueles conteúdos de literatura e redação que muitas vezes soam cansativos a quem aprende já não entediam mais quem depende deles para avançar nos estudos. E como os professores conseguiram isso? De forma simples: utilizando a combinação que mais apaixona os jovens da atual geração - computador, smartphone e internet.
O projeto nasceu pelas mãos da doutoranda em estudos de linguagem Claudia de Faria Berbeta, que é formada em Letras e tem direcionado sua linha de pesquisa ao letramento digital dos professores. O primeiro objetivo do programa era proporcionar aos alunos a inclusão digital, mas em pouco tempo a iniciativa já colhe resultados que vão além. "A escola atende um perfil de alunos bastante carentes e muitos deles só têm acesso ao computador no colégio. E a ideia é fazer com que, além de pesquisar, eles também possam construir. O aluno não ser apenas um consumidor de informação, quero que busquem e construam conhecimento, e também sejam reflexivos", explicou.
A aceitação e os resultados foram tão positivos que o material resultou na criação de um blog, o Macunaíma 2015 (www.macunaima2015.wix.com/modernismo), que reúne todo o conteúdo que eles produzem. "Quando a gente percebeu que eles estavam ficando empolgados, resolvemos divulgar, levar o material à comunidade. E a partir daí, os alunos começaram a se achar importantes", ressaltou Claudia.
"A empolgação é bem grande. A prova está na criação de QRCode, para que eles, além de escrever os textos, possam divulgar o trabalho com a comunidade em que vivem, utilizando os recursos tecnológicos", enfatizou a doutoranda, acrescentando que, além da parte textual, os alunos também demonstram muita criatividade produzindo outras mídias, como vídeos.
Eduardo dos Santos Costa, aluno do primeiro ano do Ensino Médio, nunca imaginou que um dia criaria um autorrelato de sua vida. Experiência que vai ficar marcada. "Foi um relato pessoal contando minha vida até os dias atuais. Ficou muito legal, uma coisa diferente", destacou o garoto de 17 anos. Mas não foi só isso. Como todo adolescente, ele tem perfil nas redes sociais e não desgruda do celular. Mas agora o aparelho também serve como reforço para os estudos. "Conheci ferramentas que não conhecia antes", apontou.
"Foi a primeira vez que tive oportunidade de criar conteúdo, nós pesquisamos e criamos", enalteceu Victor Maurício Souza, de 16 anos, aluno do terceiro ano do Ensino Médio. Para Joselaine Martiniano, de 18, também do terceiro ano, o mais interessante até o momento foi o ganho de desenvolvimento na sala de aula. "Gostei bastante dessa parte de comparar história com a atualidade. Estamos aprendendo muito", destacou.
Na tarefa de alimentar o blog, Claudia conta com o apoio de outros dois professores de língua portuguesa que ministram o conteúdo em sala de aula, oferecendo subsídios para que os alunos possam criar o conteúdo. Lilian Casagrande Mendonça reforça o poder de entretenimento que o projeto adicionou às aulas e cita ainda que o contato com as novas ferramentas foi capaz até de devolver a alguns alunos o desejo de aprender. "Temos uma turma do primeiro ano que tinha muitos alunos desanimados, muitos deles já repetiram de ano e não demonstravam tanto interesse nas aulas. E o projeto ajudou a despertar neles essa vontade de estudar", ressaltou. "Pode ser que a internet sirva para uma inclusão no mercado de trabalho", citou a professora.
"O trabalho com a tecnologia é uma forma mais prática de ver o trabalho deles aplicado. E é uma motivação para eles ver isso de forma concreta. Foi um reforço", acrescentou o professor Adriano Orlando.

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