Tecnologia como aliada da educação
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 2009
Adriana De Cunto<BR>Equipe da Folha 
Salvador - A grande maioria dos educadores de todo mundo já constatou que ferramentas tradicionais de aprendizagem (lápis, caderno, livro didático e um quadro-negro) não são mais suficientes para atrair a atenção de seus alunos e motivá-los a aprender. O tradicional não funciona para as crianças e jovens da chamada sociedade da informação, acostumados com mudanças rápidas, mais críticos e questionadores, enfim, gente que se aborrece facilmente com o ritmo escolar das gerações passadas.
A dúvida sobre como motivar os estudantes desde o ensino infantil é comum a todos os professores e é sobre esse problema que se debruçam educadores de 60 países reunidos essa semana em Salvador (BA) durante o Fórum Mundial de Educadores Inovadores 2009, evento promovido pela Microsoft, por meio do Programa Parceiros na Aprendizagem. O objetivo é disseminar melhores práticas de metodologias pedagógicas inovadoras, uso da tecnologia em benefício da aprendizagem, além de debater soluções para os desafios globais que são enfrentados pela educação hoje.
Mas se a dúvida sobre motivação é comum entre os professores, a solução apontada por eles e mais os pesquisadores e consultores presentes ao Fórum também é de consenso: a educação é a base para se alcançar o novo patamar de civilização que se espera para o século XXI. E a tecnologia da informação é a grande aliada do professor e dos pais para promover essa educação de alta qualidade, seja em um países desenvolvidos, como o Canadá e os Estados Unidos, seja em países em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, ou em países pobres, como os do continente Africano.
Por isso mesmo que o fórum da Microsoft reúne no Brasil representantes de escolas públicas de todas essas localidades. Esses representantes foram escolhidos por meio de competições regionais, nacionais e que depois terminam no Prêmio Mundial de Educadores Inovadores. Quatro, dos 69 competidores, são brasileiros e vieram de escolas do Rio Grande do Sul, Bahia, Tocantis e Rio de Janeiro. Eles desenvolveram projetos educacionais usando a tecnologia na sala de aula como forma de melhorar o aprendizado.
Ao contrário do que possa parecer, não se trata apenas ou somente do uso da alta tecnologia da informação. Muitos dos projetos representam soluções simples e criativas mas que causaram impacto na comunidade onde a escola está situada.
É o caso do Projeto Barreiro, idealizado pelo professor Lucrécio Filho de Oliveira, da Escola de Canuanã, no município de Formoso do Araguaia (TO). O trabalho só vai utilizar a tecnologia na hora de desenvolver materiais para divulgá-los à população local. A proposta era conseguir soluções para o lixo das pequenas propriedades rurais onde moram as famílias dos estudantes. A Canuanã é uma grande escola mantida pela Fundação Bradesco e atende na forma de internato 916 alunos com idade a partir de 7 anos até o ensino médio.
O diretor da instituição, Ricardo Figueiredo, explicou que como não há coleta de lixo nas propriedades rurais, o armazenamento dos dejetos era feito de forma irregular: às vezes queimando, outras vezes indo parar em um rio. A partir do projeto, os alunos aprenderam a armazenar o lixo de maneira mais adequada ecologicamente: em valas, foram colocadas uma camada de lixo, uma de terra e outra de compostagem. Por último, foram plantadas bananeiras. ''A ideia é que outras comunidades do Tocantins possam dar o mesmo destino ao lixo'', diz o diretor. O projeto ficou em terceiro lugar na categoria comunidade.
Energia
Outro projeto brasileiro, que ficou em 3º na categoria conteúdo, e construído de uma maneira bastante simples foi o desenvolvido pelo professores do Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, de Salvador (BA), Alex Vieira dos Santos e Silvano Cruz de Oliveira. O projeto possibilita a compreensão das fontes de energia renováveis e não renováveis, estimulando os alunos envolvidos a buscarem alternativas para problemas comuns à comunidade, despertando o interesse pelas ciências. Novamente, o computador estava presente no momento das pesquisas de conteúdo e na hora da divulgação dos resultados.
O Paraná teve três projetos que receberam menção honrosa. São eles: Ética e Cidadania com Robótica, professora Leila Márcia da Silva, de Curitiba; Inserção Pedagógica da TV Pendrive na Escola, professora Gláucia Cristina Belasque Vriesmann, São José dos Pinhais; Imagem e poesia: reflexão e ação, Vânia Lúcia Bettazza, de Rolândia.
* A jornalista viajou a Salvador a convite dos organizadores.


