O estudante Felippo Augusto Perfetto Demarchi, 13 anos, ganhou o primeiro celular aos 8 anos. Desde então, colecionou vários modelos e, hoje, considera o equipamento fundamental para a vida. ''O celular é relógio, calculadora, despertador, agenda. Sem ele, não sou nada'', diz o adolescente, que também utiliza o equipamento para se comunicar com a mãe. ''Ganhei o primeiro quando comecei a catequese e precisava ligar para virem me buscar'', recorda.
Colega de Felippo, Ana Beatriz Ticianelli Moller, 13, passou meses pedindo um aparelho para a mãe, mas só ganhou o primeiro celular no Natal passado. Antes de ter o próprio telefone, ela levava o da mãe emprestado quando saía sozinha, ou usava o das amigas. ''É bem mais prático, não preciso ficar telefonando a cobrar quando quero falar em casa.''
Conscientes sobre as regras da escola, eles não usam o aparelho em sala de aula. Os telefones ficam desligados na mochila, mas são ativados assim que as ativades didáticas terminam. ''Nunca saio sem o meu aparelho'', diz Felippo.
A mãe do garoto, a professora universitária Ana Paula Perfetto Demarchi, confirma que o equipamento é ''como se fosse uma extensão do corpo do filho''. ''Ele fica meio perdido sem o celular, o telefone dá segurança'', conta. Ela decidiu comprar o equipamento para monitorar as atividades de Felippo e, pelos mesmos motivos, já deu um aparelho para a filha Andrezza, de 9 anos.
Para a professora, a tecnologia é um instrumento facilitador, pois permite que ela saiba onde as crianças estão e ajuda a combinar coisas do dia a dia, como hora e local para buscá-los. ''Não imagino como era ser mãe quando os celulares não existiam.''
Mãe de Ana Beatriz, a advogada e administradora de empresas Ana Karina Ticianelli Moller foi mais reticente antes de comprar o primeiro aparelho para a filha. ''Eu sempre sabia onde ela estava, não achava necessário. Não queria que ela tivesse um ímpeto consumista, afinal, celular não é brinquedo'', considera.
Quando a filha começou a sair sozinha, a mãe decidiu fazer a compra. O equipamento, então, passou a ser um instrumento facilitador da comunicação entre as duas. ''Acho que é uma tecnologia que veio para ajudar, mas não queria que Ana Beatriz ficasse dependente dela'', afirma. Ana Karina também ensinou a filha a se virar sem o telefone móvel antes de adquiri-lo. ''Ela foi orientada a usar orelhão e fazer ligações a cobrar'', conta a mãe que, pelos mesmos critérios, ainda não comprou aparelhos para os filhos Gabriel, 11, e Pedro, 9. (C.A.)

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