O médico Edson Luiz Michalkiewicz, um dos responsáveis pelo projeto da UFPR envolvendo o IMIP e o St. Jude, conta que nas discussões clínicas por videoconferências adota-se o formato de ‘‘segunda opinião’’, ou seja, o médico responsável pelo paciente consulta os especialistas para ampliar o seu conhecimento sobre o caso com diferentes opiniões, mantendo a decisão e responsabilidade sobre o paciente com ele, e não com os especialistas.
Como toda nova tecnologia que ainda não é completamente compreendida, a telemedicina também causa receio de desestabilização de um sistema já confortável e bem definido. ‘‘O papel das Universidades é exatamente esse. Explorar a fundo a tecnologia para definir quais são os limites e vantagens de uma nova tendência’’, diz Michalkiewicz.
O medo de alguns profissionais em aderir à telemedicina é considerado sem razão pela equipe da UFPR. ‘‘Acreditamos que a telemedicina vem adicionar em vez de substituir’’. Para que um profissional adquira a especialidade, normalmente é necessário separar-se da família, de seus pacientes e seu ambiente, além de ter despesas extras com estadia, manutenção e viagens. ‘‘Com o uso da telemedicina conseguimos complementar uma experiência local já boa, com características acadêmicas, de modo a transformá-la em uma excelente oportunidade de aprendizado da especialidade’’, salienta Michalkiewicz.
Para que a telemedicina torne-se mais popular e acessível ao público, as dificuldades são muitas, aponta Michalkiewicz: ‘‘Os custos ainda são elevados. A maioria das iniciativas de telemedicina no Brasil e no mundo são custeadas por verbas específicas e limitadas’’, salienta. Além do custo, outro fator que compromete a popularização da telemedicina é o número limitado de profissionais treinados para utilizar a tecnologia.
Porém, a solução para baratear os custos está próxima da realidade. A chegada da Internet 2 – uma forma de comunicação de banda larga, mais rápida e barata – é esperada com ansiedade pelos médicos e profissionais envolvidos com a telemedicina. Em São Paulo, a Internet 2 já opera na capital com o nome de RMAV-SP (Rede Metropolitana de Alta Velocidade) e, em Campinas, como Remet (Rede Metropolitana de Alta Velocidade de Campinas). A conexão entre as instituições acadêmicas é feita com cabos de fibra ótica.
Atualmente o método mais barato e eficiente de comunicação para aplicação da telemedicina são as chamadas linhas RDSI. São necessários de 4 a 8 canais de linha para se obter uma qualidade de imagem razoável. Isso significa 4 a 8 vezes o custo de uma ligação interurbana ou internacional. ‘‘Cada hora de videoconferência pode custar até US$ 250,00 dólares, dependendo do horário e local que se está conectando’’, informa Michalkiewicz. O gasto chega a dobrar quando a conexão é feita com múltiplos locais, como no caso da UFPR, que conecta simultaneamente com o Pernambuco e os EUA.
A variedade de equipamentos é muito grande, especialmente se existe a necessidade de incorporar imagens e recursos de propedêutica armada. No Hospital de Clínicas existe um equipamento de videoconferência e uma câmera de documentos, além de um circuito interno de vídeo que permite filmar cirurgias e estudos endoscópicos. Há também de uma ilha de edição de vídeo. ‘‘O investimento alcança a ordem de US$ 30 mil’’, conta Michalkiewicz. (M.D.B)

mockup