Tecnologia a serviço das famílias
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quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
A mãe que requer direitos, o pai que tem dúvidas ou prefere negar a responsabilidade e o filho sem pai afetivo e legal. Dúvidas sobre a paternidade são sempre dolorosas para todos os envolvidos e, até o surgimento da tecnologia que permite a análise do DNA, poderiam durar toda uma vida. Dramas familiares que atingem muita gente, como comprovam quadros de exame de DNA de certos programas de TV e os laboratórios.
Recém inaugurado em Londrina, o Centro Avançado de Diagnóstico (CAD) é o único da região que possibilita a investigação de paternidade. E o movimento é grande: pelo menos um exame por dia, a um custo mínimo de R$ 500. ''Por não termos divulgado o serviço e estarmos no início, a procura é surpreendente'', diz o administrador Evandro Veras.
Nos corredores do laboratório, expectativas e histórias de vidas diversas. ''Toda investigação de paternidade tem uma questão financeira, pensão ou bens, mas mais do que isso envolve uma questão afetiva por isso sempre tomamos o cuidado de informar muito bem as pessoas envolvidas de todo o processo'', comenta o diretor clínico Edilson João Cabreira.
Hoje, o profissional liberal João (nome fictício) está feliz com o resultado do exame que comprovou que ele é pai de uma menina de 10 anos. Mas como várias histórias, a dele não começou bem. ''Me envolvi com ela (a mãe) quando tinha 19 anos. Na época em que a criança nasceu até saiu um burburinho que eu era o pai mas nem fui atrás disso, para mim não era conveniente'', comenta. Sete anos depois, a mãe da menina resolveu entrar na Justiça. ''O começo da conversa não foi bom, ela foi agressiva, mas pensei bem, minha mulher me apoiou muito e fizemos o teste por conta própria sem esperar pela Justiça'', conta.
O resultado positivo livrou-o de uma dúvida - segundo ele a mãe tinha um namorado na época que saíam juntos - e lhe trouxe nova alegria. ''Estou feliz, ganhei uma filha e no lado afetivo, já que a menina gostou de mim logo de cara'', diz o pai. Ele está planejando uma festa surpresa para a menina, que mora em outra cidade. Sem o exame, ele admite, a dúvida talvez ficasse para sempre.
O exame de DNA, explica a bioquímica Déborah Vittori, tem 99,999% de certeza em casos de inclusão - quando é positivo -e 100% no caso de exclusão. A grosso modo, o DNA é um código de barras humano que pode ser coletado em qualquer célula nucleada. Sangue, bulbo capilar, saliva e ossos são algumas das estruturas usadas no teste.
Metade desse código vem da mãe e metade do pai. O que se faz no laboratório é comparar o DNA dos três envolvidos, cuja técnica permite que seja impresso, tal como um código de barras, em uma placa de gel. O valor dos exames varia de acordo com o material coletado - a retirada do DNA de ossos, por exemplo, exige mais operações.


