Levar ao paciente do interior o que há de mais moderno em tecnologia e prática clínica de cardiologia, sem qualquer perda para os atendimentos realizados em capitais, é a meta dos organizadores do 37º Congresso Paranaense de Cardiologia, promovido pela Sociedade Paranaense de Cardiologia. O evento começou ontem, em Londrina, e termina amanhã, com uma simulação de técnicas de Suporte Avançado de Vida em Insuficiência Cardíaca (Savic), no Centro de Eventos (Zona Sul).
Nova normatização de atendimento a pacientes com deficiência cardíaca, o Savic foi criado em Londrina pelo cardiologista Manoel Canesin, presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia, e teve a colaboração da cardiologista Divina Seila de Oliveira Marques, presidente do congresso. ''É um curso prático que já foi realizado em diversas cidades brasileiras'', comentou Divina, reforçando que a insuficiência cardíaca é a principal causa de internação em pessoas com mais de 60 anos no País.
Ela destacou o uso da angiotomografia, a qual permite o diagnóstico de doenças coronarianas de maneira menos invasiva que o tradicional cateterismo, como um dos principais temas discutidos no evento, que deve reunir em três dias, cerca de 700 participantes, entre médicos e estudantes.
Segundo ela, se o resultado do exame for normal, a realização do cateterismo, que é usado no diagnóstico e no tratamento de lesões ou obstruções coronarianas, é dispensado. ''Esta técnica já existe há dois anos no mercado, mas é pouco usada em função do alto custo, pois a maioria dos convênios não libera.''
Divina destacou ainda o uso do cardiodesfibrilador implantável na prevenção de morte súbita: ''É um dispositivo que já é usado há quatro anos, mas como a técnica, as indicações e os equipamentos foram aprimorados, vale a pena se atualizar'', justificou.
Ela ressaltou que em casos de morte súbita abortada, arritmia grave ou função do coração deprimida, o Sistema Único de Saúde (SUS) cobre o implante do marcapasso no paciente, que custa em torno de R$ 50 mil, como forma de prevenção secundária. ''No Hospital Universitário de Londrina já existe um serviço especializado, que é referência há três anos.''
Ainda conforme a médica, apesar de a maioria das tecnologias apresentadas nas mesas redondas serem importadas, a cardiologia brasileira é bastante avançada: ''Hoje o paciente não precisa viajar para o exterior para sofrer uma intervenção. Temos ótimos centros cirúrgicos no País, inclusive em Londrina''.
''Todo médico precisa de atualização para que o paciente receba o melhor tratamento. Hoje, estão sujeitos a ter problemas no coração indivíduos que sofrem de fatores de risco como diabetes, hipertensão e colesterol alto, além de fumantes e sedentários'', alertou a médica, lembrando que a maioria dos infartos acomete homens, a partir dos 45 anos. ''O hormônio feminino protege a mulher por mais tempo, que passa a correr riscos aos 55 anos.''

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