Ney de SouzaRota migratóriaCápsulas de plástico serão fixadas na nadadeira dorsal. Os pesquisadores querem acompanhar a migração dos cardumes. Pescador que responder perguntas contidas na cápsula receberá brindes. Cerca de 27 mil peixes que estão no Rio Paraná serão marcados por cientistas brasileiros, paraguaios e argentinos até o ano 2000. Os peixes vão receber cápsulas de plástico que serão fixadas na nadadeira dorsal. A intenção da usina de Itaipu, que coordena a pesquisa, é acompanhar a migração dos cardumes.
Com a conclusão de um canal da Usina de Itaipu - um acesso que permite que os peixes desviem das turbinas e liga o reservatório da hidrelétrica ao Rio Paraná - os peixes farão uma rota migratória que até então estava interrompida com a construção das barragens de Itaipu (Brasil-Paraguai) e Yacyretá (Paraguai-Argentina).
O esforço trinacional envolverá a marcação dos peixes até o ano 2000 com o objetivo de descobrir o grau de eficiência do canal. As marcas são cápsulas de 35 milímetros de comprimento e dois gramas de peso com um bilhete numerado. Para o sucesso da experiência, a Itaipu alerta que vai precisar da ajuda dos pescadores.
Ao romper a cápsula de cada exemplar, o pescador encontrará uma mensagem sobre como deve proceder para informar a captura do peixe. ‘‘Esse peixe foi marcado para estudos. Fique com ele e devolva a marca pelo correio com os seguintes dados: nome do peixe, tamanho e endereço de quem pescou’’, diz a mensagem, escrita em português e espanhol. O pescador que enviar a resposta vai receber um brinde das usinas de Itaipu e Yacyretá como agradecimento pela colaboração.
Os técnicos vão comparar os locais onde os peixes foram soltos com os locais das capturas. Segundo o superintendente de comunicação da Itaipu, Hélio Teixeira, com esse trabalho os cientistas poderão traçar um perfil da piracema e saber o trajeto e a distância percorrida pelos peixes.
Os dados sobre a captura serão uniformes e ficarão centralizados nas usinas de Itaipu e Yacyretá. ‘‘Após a piracema, os pesquisadores esperam obter um resultado parcial da experiência e, se necessário, propor melhorias para o canal’’, afirma Teixeira.
Marcação Os técnicos da Itaipu já estão estudando a marcação de peixes, apesar do trabalho começar somente em outubro. Eles serão capturados em três locais diferentes: na Usina de Yacyretá, abaixo da barragem de Itaipu e no reservatório da Itaipu. As técnicas também serão diferentes.
Na Yacyretá, os peixes serão atraídos pela correnteza e entrarão num elevador especial que os transfere do nível normal do rio para o reservatório daquela usina. Na Itaipu, eles usarão a escada experimental de peixes, construída na ponta da barragem. No reservatório, as capturas serão feitas com redes e espinhéis em três locais diferentes (Foz do Iguaçu, Santa Helena e Guaíra). No total, serão marcados 9 mil peixes em cada piracema que ocorrer até o ano 2000.
O canal vai permitir que os cardumes cheguem até os rios do Mato Grosso do Sul, onde poderão desovar. Os cientistas alertam que os peixes precisam percorrer grandes distâncias - em alguns casos chega a 400 quilômetros - para poder reproduzir.

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