Técnicos são treinados para eliminar a hanseníase
Especial para a Folha
Manchas na pele? Pode ser hanseníase. Com essa frase alarmante, a Secretaria da Saúde de Curitiba pretende chamar atenção para uma das doenças mais antigas do mundo e que ainda assusta a população, apesar de já ter cura rápida.
Os agentes de saúde do município estão sendo treinados para identificar o mal e incentivar a população a procurar um médico quando aparecerem sinais no corpo. Cinco mil cartazes e dez mil folhetos da campanha serão distribuídos, a partir de hoje, para os postos de saúde do município. O objetivo do trabalho é erradicar a doença na cidade.
A doença, mais conhecida como lepra, apareceu na Idade Média e começou a ser tratata em 1800, quando o cientista Hansen diagnosticou o mal. Até 15 anos atrás, quem tinha o diagnóstico da hanseníase era obrigado a se isolar em leprosários e passar por tratamentos que duravam até 17 anos. O desenvolvimento da poliquimioterapia - adotada no Brasil há nove anos - mudou esse quadro. O método atual é capaz de eliminar os bacilos da pela de seis meses a dois anos, dependendo da gravidade do caso.
Segundo a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Curitiba, Célia Bataglin, a intenção da secretaria, com a campanha, é conseguir um diagnóstico cada vez mais precoce da hanseníase para evitar um número maior de contaminações. Célia acredita que isso acontece porque os agentes de saúde não estão preparados para diagnosticar as manchas e, por outro lado, a população só procura o médico quando os sinais na pele já estão bastante desenvolvidos.
No ano passado foram identificados 107 casos da doença, em Curitiba. Isso significa um índice de 1,42 caso para cada 10 mil habitantes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) pretende reduzir a prevalência da doença para um caso a cada 10 mil habitantes. Para conseguir chegar nessa meta, a secretaria municipal iniciou ontem um treinamento para 40 agentes de saúde do município. Além de aprender sobre como identificar a doença mais precocemente, eles também vão trabalhar para diminuir o preconceito que a hanseníase ainda carrega.





