O promotor de Justiça do Meio-Ambiente, Sérgio Luiz Cordoni, receberá hoje um documento que defende a permanência do jacaré do papo amarelo no Parque Barigui, em Curitiba. Cordoni acredita que o animal, que está no parque há pelo menos 20 anos, ponha em risco a vida dos frequentadores do Barigui, o mais visitado da cidade. Técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ibama e ambientalistas da Sociedade Protetora da Vida Selvagem (SPVS) assinam a carta que será enviada ao promotor.
A decisão de manter o jacaré no parque foi tomada ontem em reunião na sede administrativa do Passeio Público. O principal argumento é de que o animal, com 2,10 metros de comprimento, nunca atacou ninguém que estivesse circulando no parque. O biólogo e diretor do Departamento de Zoológicos da Prefeitura de Curitiba, Luiz Roberto Francisco, alerta que a remoção para o Rio Iguaçu, por exemplo, pode comprometer a sobrevivência do jacaré. ‘‘Será que aquele rio poderá receber mais um jacaré?’’, indagou.
Num zoológico, o animal poderia sofrer ataques de outros jacarés que disputariam com ele fêmeas e território. Outro argumento colocado na carta é de que o jacaré do papo amarelo ‘‘normalmente não é uma espécie agressiva’’ como é a da família dos crocodilos.
Uma das soluções sugeridas pelos assinantes do documento que chegará as mãos do promotor será a abertura de espaços novos nas ilhas do Barigui. Conforme o biólogo Luiz Roberto, estas áreas serviriam para que o jacaré descansasse. Ao mesmo tempo, o animal se afastaria ainda mais de qualquer contato direto com a população. Painéis educativos instalados pelo parque reforçariam as dicas para não se aproximar do jacaré. ‘‘Se um acidente acontecer, será mais pela imprudência de alguém, do que pela índole do animal’’, comentou o biólogo.

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