A habitação precisa atender, em qualquer situação, à dignidade humana. A afirmação foi proferida ontem em Londrina, pelo engenheiro civil José Roberto Hofsmann, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), durante o seminário que reuniu arquitetos, engenheiros, urbanistas e vereadores eleitos. Promovido pelo Sinduscon e Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), o seminário, que teve como objetivo discutir temas ligados ao setor, contou com a presença do prefeito eleito Nedson Micheleti (PT).
A habitação popular, para o engenheiro Hoffmann, ‘‘local de abrigo e convívio’’, pode ser viabilizada tomando-se como parâmetros as necessidades e possibilidades da família. ‘‘Se bem administrado, o sistema de construção de casas populares é viável e gera empregos imediatos’’, afirmou Hoffmann, que vê dificuldades na edificação de todas as casas do sistema Poupalar.
Segundo o engenheiro e professor da Universidade Estadual de Londrina, o montante depositado pelos poupadores não é suficiente e as construções podem ficar comprometidas. ‘‘Se o poupador recuar, as possibilidades da construção diminuem. Um consultor financeiro pode tentar explicar, mas é difícil convencer’’, disse.
A qualidade de vida, para o doutor em arquitetura e urbanismo Antônio Carlos Zani, deve ser observada quando se fala em planejamento urbano. ‘‘Os munícipes devem acompanhar o planejamento, que deve ser revisto continuamente’’, disse Zani. Para o arquiteto, o planejamento urbano está diretamente ligado à gestão política e financeira. ‘‘A cidade ideal nem sempre é a cidade possível’’, analisou.
O traçado xadrez da cidade, implantado pelos ingleses em 1936, não comporta o terminal de ônibus urbano. ‘‘Os terminais devem se concentrar nos bairros.’’ Na opinião do arquiteto, isso foi desconsiderado, ocasionando os problemas atuais no tráfego da cidade. O plano diretor, criado em 1998, garante o que se tem hoje, mas necessita de constante revisão. Cidades radiais, com anel viário moderno são, na opinião de Zani, propostas viáveis para a reformulação da malha viária.
Os subsídios técnicos apresentados pelos profissionais de engenharia e arquitetura ‘‘transcedem a questão política’’ e podem nortear a próxima administração. Na opinião do presidente do Ceal, Clóvis Bohrer, é possível ter crescimento urbano sem prejuízo da qualidade de vida. A preocupação maior do Ceal, segundo Bohrer, é apresentar soluções e ouvir a sociedade.
Londrina abdicou da política ambiental. ‘‘A promotoria do meio ambiente vem exercendo a função que deveria ser da cidade como um todo’’, afirmou Cláudio Tedeschi, diretor do Sinduscon. A Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) não exerce a contento sua função, o que igualmente acontece com o Legislativo e o Executivo, continuou Tedeschi. Segundo o diretor, o cidadão fica à mercê desta ingerência. ‘‘Precisamos definir uma política ambiental.’’
A análise da situação atual da cidade e as sugestões apresentadas pelo Sinduscon têm como finalidade respaldar a gestão do prefeito eleito, mas a entidade não pleiteia cargos. ‘‘Visamos o desenvolvimento sustentado e acreditamos que isso seja possível’’, assegurou o presidente Clóvis Coelho. O plano diretor, o zoneamento e uso do solo, as implicações com o meio ambiente e sistema viário são, de acordo com Coelho, as questões básicas a serem consideradas pela administração pública.

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