Técnicos evitam que óleo se espalhe
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domingo, 24 de setembro de 2000
Julio Cesar Lima De Curitiba 
Um grupo de 120 pessoas está trabalhando nos 10 quilômetros do Rio Caninana, na Serra do Mar, para impedir que o óleo diesel vazado das locomotivas descarriladas na madrugada de sábado chegue ao Rio Nhundiaquara, que abastece a cidade de Morretes. Foram instaladas 16 barreiras de contenção. A Defesa Civil informou ontem que a maior parte dos 4 mil litros de óleo ficou retida nas margens do rio e uma parte evaporou por processo natural.
Na tentativa de evitar novos acidentes, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vai solicitar uma inspeção conjunta da malha ferroviária, num trabalho envolvendo a América Latina Logística (ALL), responsável pelas ferrovias no Estado, Defesa Civil, bombeiros e outras entidades. Precisamos saber como estão as condições de tráfego desses trechos, afirmou o chefe do departamento de fiscalização, José Luiz Bolicenho. Esse foi o oitavo acidente envolvendo a ALL nos últimos meses.
Segundo denúncias do Sindicato dos Maquinistas Ferroviários do Paraná, a falta de manutenção da linha Curitiba-Paranaguá e a redução do quadro de funcionários da ALL são alguns dos motivos que podem ter provocado o acidente. A empresa afirma que o Ministério do Trabalho não reconhece o sindicato.
O óleo retirado do Rio Caninana está sendo armazenado em um camihão-pipa e tambores, que depois terão seus resíduos depositados em locais adequados sob orientação do IAP. Segundo o tenente Luiz Carlos Gonçalves, da Defesa Civil, os trabalhos podem atrasar um pouco por causa da chuva. A agilidade das ações impediu um problema maior ao meio ambiente, mas ainda temos que aguardar os laudos e sabermos os motivos disso, afirmou Gonçalves.
A ALL, responsável pelo trem descarrilado, informou que o tráfego na área pode ser liberado até o final da tarde de hoje. Estamos fazendo a recuperação do trecho atingido e há uma equipe de técnicos monitorando o trabalho de contenção do óleo, afirmou a gerente de operações corporativas da ALL, Silvana Alcântara Oliveira. Cada um dos 21 vagões descarrilados e que devem ser resgatados nessa semana pesa 20 toneladas sem a carga.
Ontem o IAP notificou a ALL exigindo a limpeza imediata da área e do rio atingido. Segundo Bolicenho, hoje podem ser anunciadas sanções administrativas contra a empresa, que terá 48 horas para entregar um laudo sobre o impacto ambiental provocado pelo acidente. A ALL, no entanto, negou ter recebido qualquer documento.Não recebemos nada oficialmente, afirmou Silvana Alcântara.


