Por lei eles devem trabalhar quatro horas por dia, receber dois salários mínimos regionais, mais 40 por cento de risco de vida e insalubridade. Apesar da lei existir desde 1986, por meio do decreto nº 92.790 que regulamenta o exercício da profissão, em Londrina poucos técnicos em radiologia trabalham de forma regular.
Insatisfeita e preocupada com o futuro da profissão, a técnica em radiologia Lúcia (nome fictício), que concluiu o curso há poucos meses, entrou em contato com a FOLHA para denunciar a situação dos profissionais da cidade. Segundo ela, várias clínicas da cidade terceirizam o serviço fechando contrato com profissionais que trazem outros técnicos para trabalhar para eles, pagando salários ''baixíssimos'' e sem registro.
''A maioria dos técnicos não é registrada e alguns chegam a trabalhar até 12 horas recebendo bem menos que o piso. Muitas clínicas contratam técnicos em radiologia mas os registram com outras funções só para não terem que pagar os direitos do profissional, que incluem insalubridade por lidarmos diretamente com a radiação, todos os dias'', conta.
Formado há cerca de seis anos, o técnico em radiologia Marcos (nome fictício) trabalha há três anos em uma clínica de Londrina, mas, além de não ser registrado, recebe R$ 350 por mês, menos que a metade do salário que deveria ganhar. Ele contou que o serviço é terceirizado e o responsável pelo contrato - que também é técnico em radiologia - recebe R$ 1.200,00 da empresa. De acordo com ele, o valor é dividido entre três, o responsável pelo contrato e outros dois técnicos que trabalham diretamente no local, revezando os turnos.
''Não recebo vale transporte, não sou registrado e as férias acontecem só quando a clínica fecha. Se a clínica não fechar por dois anos, ficamos dois anos sem férias. Se eu fosse receber o piso certinho, deveria receber cerca de R$ 900'', aponta.
Na verdade, Marcos deveria receber R$ 1.060,00, levando em consideração o salário mínimo regional mais os 40% de direito da categoria. A FOLHA entrou em contato com a empresa que Marcos trabalha e foi informada que o contrato prevê o pagamento de R$ 1.200,00 ao contratado que deve se responsabilizar pelo setor. Na prática, o que ocorre é que esse contratado divide esse valor entre ele e os outros dois 'funcionários'.
A reportagem da FOLHA também ligou para o contratado, responsável pela terceirização do serviço. Ele pediu anonimato e negou a informação passada pela empresa. Ele disse que o contrato é antigo e que, na verdade, ele recebe R$ 2.660,00, valor que é dividido entre os outros dois profissionais e que ele não recebe nada.
O técnico em radiologia executa técnicas radiológicas, organiza a coleta e documentação de informações sobre o desenvolvimento das atividades radiológicas. A reportagem apurou que nos principais hospitais da cidade os profissionais trabalham com todos os direitos garantidos pela lei. Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, o hospital conta com 13 profissionais contratados e tem inclusive um curso específico para eles.
Apesar da própria categoria saber o que acontece em Londrina, muitos são omissos e não denunciam. O presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Paraná, Abel dos Santos, afirma que há três meses o Conselho vem articulando uma campanha de conscientização, pedindo que os técnicos denunciem a 'exploração' para que o órgão possa encaminhar as informações ao Ministério Público (MP).
''Não somos contra a terceirização mas ela deve ocorrer de forma legal, para que o profissional tenha todos os seus direitos garantidos. Estamos pedindo que os colegas de profissão denunciem as irregularidades pois os profissionais que estiverem terceirizando serviços de forma ilegal serão punidos e terão que deixar de exercer as atividades'', alerta.

Serviço - Técnicos em Radiologia podem entrar em contato com o Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Paraná (CTRP) para denunciar casos de contratações irregulares. O Conselho vai preservar a identidade do denunciante. O contato é pelo telefone (41) 3332-9961 ou pelo www.crtrpr.org.br.

''Pedimos que
os colegas
denunciem as
irregularidades''

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