Edson MazzettoVerificaçãoMembros do Programa de Impactos Ambientais visitam a Fazenda Piquiri, em CascavelFuncionários de órgãos ligados à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Mato Grosso do Sul (MS) avaliaram ontem em Cascavel os resultados do programa ambiental desenvolvido pela Copel no rio Iguaçu, onde está em obras a Hidrelétrica de Salto Caxias. No Mato Grosso do Sul, a Companhia Energética de São Paulo (CESP) está construindo no rio Paraná a Hidrelétrica de Porto Primavera, que segundo os integrantes do grupo provocará impacto no lado sul-mato-grossense do rio.
O grupo conheceu dois locais de reassentamento de lavradores que terão terras alagadas pela barragem de Salto Caxias - fazendas Piquiri e Barater - e manteve contato com dirigentes da Comissão dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que representa as famílias.
Em todos os reassentamentos, são 604 famílias, parte delas assentadas mais de um ano antes do fechamento das comportas da usina (em dezembro) e outra indenizada em dinheiro.
‘‘O mais importante foi perceber a organização e a luta das famílias’’, disse Elisa Mense Rodrigues, bióloga da Secretaria de Meio Ambiente do MS. Elisa integra o grupo do Programa de Impactos Ambientais de Barragens (Piab), que tem na coordenação o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O coordenador Pedro Fuentes Dias disse que o fato de o grupo conhecer o programa ambiental paranaense serve como orientação para o Piab.
A preocupação especial é com a Usina de Porto Primavera - que terá potência de 1,8 mil MW -, com obras iniciadas há duas décadas (antes da atual legislação ambiental) e várias vezes paralisadas.
As comportas devem ser fechadas em julho, formando um reservatório de 2.225 quilômetros quadrados, dos quais 80% no lado do MS. A hidrelétrica do Mato Grosso do Sul forçará o deslocamento de 1,03 mil famílias.
A maioria das famílias sobrevive da pesca, pequenas lavouras e da olaria. Elas estão desorganizadas e por isso sem força para discussões com a companhia paulista, que até agora, segundo o Piab, organizou apenas um reassentamento para 297 famílias. Também não há programas de apoio técnico, financeiro ou institucional, como ocorre em Salto Caxias, através da Copel.

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