Técnicos discutem proteção da água
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 1998
Eledovino Bassetto Junior 
A busca de soluções práticas e racionais para recuperar, proteger e conservar as fontes de água no Paraná reuniu ontem em Curitiba um grupo de ambientalistas, movimentos sociais e representantes do governo. No auditório do edifício Castelo Branco, o seminário Proteção para as Águas teve como destaque a presença do advogado e professor americano Jeffrey Wade, que contou a experiência do Estado da Flórida na devastação dos rios e tentativas de recuperação. O seminário foi promovido pela Associação Xama, com apoio da Assembléia Legislativa e mais 11 entidades.
Ligado à Universidade da Flória, o professor Wade relatou que nos EUA houve um processo semelhante ao que está acontecendo no Paraná, com a ocupação de áreas próximas aos rios, gerando degradação da água. Lá, disse Wade, com a ocupação imobiliária iniciada há 25 anos, os americanos se depararam agora com dois problemas essenciais: a quantidade e a qualidade da água. Além disso, mais de 1/3 da extensão territorial da Flórida foi drenada, diminuindo a porosidade do solo e causando graves problemas ambientais. Outro problema, semelhante à situação do Paraná, é a canalização de rios, com alteração do curso normal e extinção dos meandros naturais.
Jeffrey Wade avalia que o Paraná pode aproveitar essa experiência negativa ocorrida nos EUA, para traçar uma política de recursos hídricos adequada, enquanto há tempo e é possível recuperar as fontes de água. Agora estamos gastando bilhões de dólares para tentar recuperar o curso natural dos rios, algo que nunca deveria ter sido modificado, diz.
Escassez - Segundo a integrante do Conselho Administrativo da Associação Xama, Sarah de Azevedo Kabel, a escassez de água potável é um problema comum a todo o planeta, na medida em que cerca de 40% da população mundial já convive com o racionamento. Por isso, há necessidade urgente de se estabelecer políticas públicas eficientes para evitar o assoreamento dos rios e a consequente degradação da água. A idéia é tomar medidas práticas, como a cobrança da aplicação das ações previstas na Agenda Habitat para o Paraná e Santa Catarina, que, entre outros pontos, estabelecem critérios mais adequados para a ocupação das áreas de mananciais. Outra reivindicação é a realização de audiências públicas para envolver a comunidade na discussão. Hoje o Estado tem uma atuação frágil, até porque não tem como fiscalizar, observa. Ainda há a questão do mapeamento completo das áreas de mananciais, que deve orientar todos os planos de assentamento. A questão é integrada, porque se refere à qualidade de vida: só medidas conjuntas, que contemplem a saúde da população, educação e habitação, vão resolver.
Aquífero - Um assunto que concentrou os debates pela manhã foi a questão do Aquífero Karst, na Região Metropolitana de Curitiba. Ocorre que os ambientalistas questionam a iniciativa da Sanepar em extrair água dessas regiões (a grosso modo, cavernas subterrâneas cheias de água). Como as áreas de karst (que começa em São Paulo e vem até o município de Balsa Nova) estão localizadas sobre terrenos frágeis, em termos geológicos, a exploração da água está gerando rachaduras e até desabamentos das construções. A exploração está acontecendo sem estudos prévios, sem se preocupar com os danos causados ao ecossistema, acusa Sarah Kabel.


