A degradação ambiental iniciada no campo espalha efeitos altamente danosos ‘‘e rola para a cidade como uma bola de neve’’, segundo alerta feito ontem em Cascavel pelo engenheiro agrônomo José Caldasso, especialista em química, fertilidade e manejo de solos. Caldasso, responsável por esta área na Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), participaria de um fórum de debates sobre Recuperação de Áreas Verdes e a Lei de Crimes Ambientais, com representantes de órgãos oficiais e outros interessados na questão ambiental. O fórum virou uma mesa-redonda, por causa do pequeno número de presentes.
José Caldasso relatou que o processo de degradação ambiental foi deflagrado no Paraná no início do século, inicialmente com o extrativismo. A degradação avançou nas décadas seguintes com a implantação de campos de agricultura mecanizada e pastagem. Hoje restam apenas cerca de 4% das matas nativas. Em algumas regiões onde as voçorocas avançam (como no Noroeste) se perdem até 100 toneladas anuais de solo em cada hectare. ‘‘Há áreas cuja recuperação é inviável do ponto de vista econômico’’, diz, como na região de Cianorte.
O erodimento do solo resulta em perda da fertilidade natural ou a reposta com insumos que, ao lado de agrotóxicos, ‘‘são carregados pela chuva e enxurradas, vão para os cursos d’água, e os efeitos são sentidos nas cidades, na água consumida’’, observa. José Caldasso acrescenta que recursos públicos destinados a programas de recuperação ambiental ‘‘deixam de ser direcionados a outras áreas’’, e os prejuízos privados decorrentes da degradação e redução de produção e produtividade são muito superiores ao que se gastaria em ações preservacionistas.
Angelo Pizatto, que dirige uma organização estadual que atua em projetos de engenharia no meio rural, observa que a gravidade dos problemas causados pela erosão ‘‘não pode ignorado, porque os reflexos se espalham em todas as frentes’’. Ele cita o caso de hidrelétricas, em cujos reservatórios vai ocorrendo paulatinamente a sedimentação da massa erodida, carregada dos solos próximos pela chuva. Cita a usina de Itaipu, no Rio Paraná: ‘‘Ela tem vida útil que vai se exaurir’’, afirma. Especialistas calculam a vida útil de Itaipu em 50 anos.

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