Maigue Gueths
De Curitiba
‘‘Todo cemitério é uma fonte potencial de contaminação, principalmente sobre o lençol freático, mas nem todo ele polui’’, afirmou, ontem o geólogo Leziro Marques Silva, técnico da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Cetesb), levantando novamente a discussão entre ambientalistas e empresários do setor sobre o potencial poluente dos cemitérios. Atualmente, segundo Silva, 75% dos cemitérios municipais do País poluem o meio ambiente, por estarem em zonas alagadiças ou em margem de rios. Entre os cemitérios particulares este índice é de apenas 25%, pois normalmente estes já são implantados em locais de melhores condições geográficas.
Para discutir este assunto, o recém-criado Sindicato dos Cemitérios Particulares do Paraná (Sincepar) realiza, dia 16 de dezembro, em Curitiba, o 1º Fórum Cemitérios – Impacto Ambiental, que trará técnicos de São Paulo e o promotor de Proteção do Meio Ambiente no Paraná, Sérgio Luiz Cordoni, para discutir as consequências ao meio ambiente e meios de prevenção. No final do evento, será redigida uma Carta de Curitiba, com as resoluções do encontro.
Ontem, o Sincepar, criado em setembro, deu seu primeiro passo para disciplinar os cemitérios particulares. Foram aprovados por unanimidade, em assembléia realizada ontem, normas técnicas e o código de ética a serem adotados pela entidade.
Entre recomendações sobre as instalações das salas para velório e templos ecumênicos, o código de ética se destaca pelo seu capítulo dedicado à questão ambiental. O capítulo 15 prevê, por exemplo, que os cemitérios devem estar localizados a uma distância mínima legal de cursos d’água, serem implantados onde as condições do lençol freático não possibilitem a deterioração das condições de potabilidade pré-existentes de captações de água subterrânea, além de definir a área máxima de sepultamento em 70% da área total do cemitério, entre outros pontos. Outra decisão da assembléia foi a criação do Selo de Qualidade Comprovada-Sincepar (SQC), que será concedido ao sindicato aos estabelecimentos, como fator de garantia na qualidade dos serviços prestados, com segurança ao público e ao meio ambiente.
O problema é tão grave que, há alguns meses, a Promotoria do Meio Ambiente chegou a notificar vários cemitérios com problemas ambientais graves, como invasão da área do cemitério sobre margens de rios, túmulos mal conservados e até abertos expondo cadáveres a céu aberto e vazamento de líquidos de decomposição para o lençol freático. Mas o tesoureiro do sindicato, Hernani Corte, se defende. ‘‘A poluição ambiental dos cemitérios é muito pequena’’, diz. Segundo ele, um homem de 80 quilos produz em três anos 100 gramas de necrochorume (líquido do corpo em decomposição). Monitoramento da qualidade da água, feita pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), de acordo com Corte, também comprovou que não há poluição na maioria dos estabelecimentos.
Mas, segundo o geólogo Leziro Silva, uma pesquisa com 600 cemitérios no Brasil e outros no exterior mostrou um número significativo de problemas. Para o cemitério não poluir, segundo ele, é preciso escolher um local adequado sob o ponto de vista geológico (que tenha lençol freático mais profundo e constituição mineralógica do solo com argila), os jazigos devem ser projetados com condições de contenção interna dos líquidos e as urnas (caixões) devem ser feitas de material que se decomponha junto com o corpo.Maior problema está nos estabelecimentos municipais que normalmente estão localizados em áreas alagadiças ou margem de rios
Arquivo FolhaPERIGOTúmulos mal conservados e até expondo cadáveres foi uma dos problemas que levaram a Promotoria do Meio Ambiente notificar cemitérios

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