Técnicos da USP vão medir tremores na zona leste
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terça-feira, 05 de janeiro de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Um grupo de técnicos do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) chega hoje a Londrina para iniciar uma nova etapa de investigações sobre os estrondos e tremores registrados na região do Jardim Califórnia (zona leste) há mais de 20 dias. Está prevista a instalação de pelo menos três sismógrafos portáteis, que serão colocados em diferentes pontos do bairro a fim de identificar novos abalos. As medidas foram anunciadas em uma coletiva à imprensa ontem à tarde, no gabinete do prefeito Alexandre Kireeff.
A visita dos especialistas abre uma nova etapa das investigações. A Sanepar nega que o problema seja decorrente da obra de ampliação de uma adutora na região. A Prefeitura de Londrina e a Defesa Civil trabalham com a hipótese de que se tratam mesmo de novos abalos sísmicos, como o registrado às 6h16 do último dia 14, de magnitude 1,8 na escala Richter, o único confirmado oficialmente até o momento.
"Eles irão delimitar a zona leste de Londrina na tentativa de produzir um aperfeiçoamento dos dados até o momento obtidos, ou seja, seria equivalente a um zoom na área, um refinamento, e obter dados no local determinado como epicentral", informou o geólogo José Paulo Pinese, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que tem colaborado com as análises e foi o responsável pelo contato com o centro da USP.
O geólogo diz que a chance de estarem ocorrendo novos abalos existe. "Em geral, eventos naturais ocorrem muitas vezes, na forma de réplicas e tréplicas e isso pode vir a ocorrer, talvez esteja ocorrendo", apontou, antes de frisar que o risco de um desastre de grandes proporções é mínimo. "Tem de se levar em conta que até o momento todos os dados mostram baixa magnitude, portanto intensidade destrutiva baixa e isso não irá trazer danos físicos a obras civis ou à saúde", explicou o especialista. Ele informa que foi solicitado ao centro um relatório dos últimos dias para confirmar a chance de terem ocorrido novos abalos. Vale lembrar que as primeiras reclamações sobre tremores na zona leste são datadas do dia 12 de dezembro, dois dias antes do abalo sísmico registrado pela USP. Segundo a Defesa Civil, as reclamações de moradores aconteceram num raio de dois quilômetros, o que engloba, além do Jardim Califórnia, o Jardim Europa.
Pinese disse ainda que somente após a chegada dos técnicos será possível informar onde os aparelhos serão instalados. Ele não informou um prazo para apresentar um relatório com o resultado das análises.
A Sanepar voltou a negar que os abalos tenham como fonte a sua adutora que passa pela região, que possui 22 quilômetros de extensão e abastece 70% das cidades de Londrina e Cambé. O gerente geral da região nordeste Sérgio Bahls rechaçou ainda a possibilidade de um golpe de aríete (distúrbio que consiste em fortes oscilações de pressão, normalmente disparadas por mudanças bruscas na velocidade de escoamento da água no encanamento) ser o causador dos estrondos, como já sugeriram especialistas em engenharia hidráulica. "A Sanepar está há 14 meses operando essa tubulação do sistema Tibagi, e desde lá temos acompanhado com equipamentos modernos para dar segurança operacional ao sistema. Não tivemos nenhuma queda de energia brusca nos últimos 90 dias e isso nos dá essa segurança. Depois do dia 14, temos monitorado minuto a minuto para verificar se há possibilidade de haver uma outra interferência e nada foi identificado até o momento", defendeu Bahls, citando que a Sanepar também está preocupada com o problema por temer avarias em sua rede. "A nossa adutora, apesar de ter uma junta elástica, não está preparada para encarar um tremor maior", acrescentou.
"Todos os indicativos apontam para um abalo sísmico, originário de causas naturais e não pela ação do homem, ou através de algum tipo de atração mecânica localizada", endossou Kireeff. Ainda que a chance seja mínima, a Defesa Civil de Londrina garante ter um plano de emergência montado para o caso de um possível terremoto de maior magnitude.


