Técnicos conhecem trânsito de Brasília
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Lucinéia Parra 
A capital brasileira apresenta, atualmente, o melhor resultado no trabalho de prevenção a acidentes de trânsito do País. Desde 1996, Brasília vem conseguindo reduzir significativamente o número de acidentes graças a um projeto coordenado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Detran), que culminou com a instalação de equipamentos controladores de velocidade nos principais pontos da cidade.
Os resultados positivos do modelo de repressão ao excesso de velocidade está interessando outras cidades. Maringá é uma delas. Em viagens à capital, técnicos da Prefeitura de Maringá detectaram as vantagens do sistema e elaboraram um programa de mudanças no trânsito local que já começou a ser implantado (veja texto nesta página).
O primeiro passo para controlar a velocidade dos veículos em Brasília foi a instalação, no final de 1995, de 14 lombadas eletrônicas. Seguindo uma tendência mundial, as lombadas foram instaladas em locais que exigem redução de velocidade e que apresentam grande fluxo de veículos. Os redutores de velocidade foram responsáveis pela sensível queda de acidentes com vítimas na cidade. Nos locais onde instalamos as lombadas, o número de acidentes com vítimas caiu para zero em 1996. Um ano antes, em 1995, nas mesmas avenidas, tivemos 61 acidentes e quatro vítimas fatais, disse o chefe da divisão de engenharia do Detran, José Lima Simões.
Depois vieram os radares eletrônicos (pardais). Atualmente, as avenidas de Brasília são fiscalizadas por 51 radares que podem ser ativados em 204 pontos. Os pardais, como são mais conhecidos, são câmeras que fotografam as placas e registram a velocidade dos veículos. As imagens são gravadas em disquetes que são levados diariamente para a empresa responsável pela operacionalização do sistema. Conforme Simões, os radares fiscalizam se os motoristas estão obedecendo a legislação de trânsito do local. As multas são aplicadas nos casos em que a velocidade dos veículos ultrapassa em até sete quilômetros a máxima permitida.
A receptividade da comunidade em relação aos equipamentos, segundo Simões foi positiva. No caso das lombadas, a obediência ao controle da velocidade é imediata. A própria comunidade vibra com as lombadas e os motoristas se sentem obrigados a obedecer a sinalização, caso contrário, eles são até vaiados pelos pedestres, porque o equipamento sinaliza o momento da infração. Já aos radares os motoristas ainda apresentam certa resistência, porque o equipamento acaba sendo um componente fiscalizador.
Segundo Simões, os pardais conseguem reduzir em até 20% da velocidade máxima permitida. Como os motoristas não sabem quais são os pontos ativos, ou seja, onde estão as câmeras, eles preferem não arriscar e na dúvida acabam obedecendo à sinalização, explica. Antes dos radares, a velocidade média dos veículos nas principais avenidas de Brasília era de 90 km/hora. Agora a velocidade média caiu para 55km/hora. A velocidade foi domada em Brasília, comemora Simões. Além das medidas punitivas a partir da instalação dos equipamentos, o Detran também vem intensificando o trabalho de educação. Campanhas de conscientização são veiculadas na imprensa com frequência. (Lucinéia Parra integrou comitiva de imprensa que viajou a Brasília a convite da Secretaria de Trânsito de Maringá)


