Técnicos aprendem sobre diarréia
Especial para a Folha
Apesar das medidas de controle de diarréias infecciosas agudas serem simples,
muitas brasileiros ainda morrem com a doença. O principal motivo seria a desinformação. Mas o acesso das pessoas aos serviços de saúde pública e o uso do soro caseiro já mostraram que há solução para o problema. Em 1988, morreram no Paraná 800 crianças com menos de um ano. Depois que os cuidados passaram a serem aplicados, o número caiu para 170 óbitos por ano. Para controlar melhor estas doenças que são monitoradas em aproximadamente dois mil municípios brasileiros, desde 1994, 53 técnicos da Secretaria de Estado da Saúde estão recebendo treinamento desde quarta-feira, em Curitiba.
Crianças com menos de 5 anos são as mais atingidas. Quando muda a faixa etária temos que ficar atentos, pois pode ser intoxicação alimentar ou cólera, afirma a enfermeira sanitarista do Centro Nacional de Epidemiologia da Fundação Nacional de Saúde, Rejane Maria de Souza Alves. O soro caseiro feito com duas colheres de sopa de açúcar e uma colher de chá de sal, num litro dágua é o primeiro recurso. Para casos mais complicados, é necessária ainda a reidratação oral em unidades de saúde ou também hidratação endovenosa, com o internamento do paciente. Uma das finalidades do monitoramento é detectar as principais causas da diarréia. A enfermeira diz que o acompanhamento detectaria muitos casos de cólera assintomáticos, que nos postos acabam sendo diagnosticados como diarréia.
A proposta é ensinar aos profissionais como identificar os fatores que provocam a diarréia, verificando a similaridade de casos. Basta que os técnicos de saúde preencham uma ficha indicando idade, procedência, data do início dos sintomas e do atendimento, além do tratamento feito. Com estes dados, se saberá se foram causados por intoxicação alimentar, problemas de saneamento básico ou a presença de algum vírus, bactéria ou parasita presente em determinada comunidade, diz a enfermeira.





